Consumo e importações
  A informação que mais impressiona na balança comercial do primeiro semestre deste ano não é o superávit comercial mais baixo desde 2002; é o enorme salto das importações, de 43,9%, em comparação com os números do primeiro semestre do ano passado.
  As exportações, por sua vez, não fizeram fiasco. Aumentaram 26,5%, desempenho que pode ser considerado extraordinário, especialmente num quadro de crescimento global insatisfatório.
  Diante de números tão fortes das importações, sempre aparece quem atribua salto tão grande à expressiva valorização cambial, que barateia em reais os preços dos produtos importados, e, em contrapartida, encarece em dólares as exportações. Não dá para descartar o fator câmbio. Ele tem lá seu peso. Mas a principal razão para esse avanço das importações é a substanciosa expansão do consumo interno, próxima dos 12,0% ao ano, acreditando no bom desempenho do comércio varejista.
  Esse é o resultado da atual política do governo Lula, que soltou reconhecidamente a política fiscal (forte crescimento das despesas do governo, de 19,3% no primeiro trimestre se comparado ao mesmo período do ano passado) com o objetivo de criar ambiente favorável para as eleições. A expansão do crédito, de 19,0% em 12 meses, até maio, também deu sua contribuição para o aumento do consumo.
  O belo desempenho das exportações está cada vez mais assentado no fornecimento de matérias-primas (minérios e alimentos). No primeiro semestre do ano passado, correspondia a 42,0% das exportações. Neste ano, já são 43,4%. Mas, ainda assim, o comportamento do segmento das manufaturas, quase sempre mais vulnerável à valorização do real, continua positivo, como abaixo ficará mais claro. Isso parece comprovar que o câmbio adverso não está prejudicando.
  Apesar disso, é inevitável o aumento do rombo em Conta Corrente (contas externas), que o mercado está avaliando em 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB), como aponta a pesquisa Focus do Banco Central.
  Não há nenhuma razão para sobressaltos. No passado, um número desses provocava fuga de capitais e pânico no mercado financeiro. No entanto, o atual deficit vem sendo perfeitamente financiado pela entrada de capitais, especialmente pelos Investimentos Estrangeiros Diretos (IED), que o Banco Central projeta em US$ 38 bilhões para este ano.
  A exportação de produtos básicos (matérias-primas) é a campeã das estatísticas. Cresceu no primeiro semestre de 2010 nada menos que 30,6%. Mas isso não significa que os produtos industrializados tenham ficado para trás. A exportação de semimanufaturados avançou 38,8% e a dos manufaturados propriamente ditos, 18,3%.
  Bom sinal é, também, o avanço das importações de bens de capital (máquinas e equipamentos). Saltaram no primeiro semestre deste ano 26,2%, o que é indício da disposição de investir por parte do empresariado.

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