Você pode não entender de questões ambientais, mas, com certeza, faz parte de pelo menos um dos grupos de ecologistas descritos a seguir.

Inspirado por artigo do especialista Stewart Brand, no ''New York Times'' de 14 de dezembro, e com base em observações pessoais, a fauna de debatedores da questão ambiental se divide em quatro categorias básicas: econegativistas, ecocéticos, ecoalertadores e ecoalarmistas. Não se pode esquecer de um quinto grupo, provavelmente mais numeroso, o dos ecoindiferentes. Confira.

- Econegativistas - São aqueles que acreditam em que as emanações de dióxido de carbono (CO2) não apresentam nenhum grande risco. Sustentam que, desde que o mundo é mundo, fontes de gases venenosos, catástrofes e mudanças climáticas aconteceram naturalmente e, no entanto, o Planeta sempre se recuperou dos golpes. Estão aí os vulcões, os desertos, os mares mortos e tantos fenômenos que produzem mais calor, mais devastação e mais gases deletérios do que a obra do homem. Mais cedo ou mais tarde, dizem eles, virá uma nova era glacial e todos rirão da histeria provocada pelos profissionais da ecologia, que vivem da propensão dos desinformados a esperar sempre pelo fim do mundo. Esses profissionais semeiam o pânico com afirmações destituídas de qualquer fundamento científico. Entre os econegativistas se destacam o senador republicano James Inhofe, de Oklahoma, e o colunista George Will, do Washington Post.

- Ecocéticos - Estão sempre encontrando inconsistências e contradições nas explanações de ecologistas de todas as tendências e lamentam a falta de consenso entre os cientistas. E, no entanto, eles próprios não tomam posição. Por isso, são confundidos com os econegativistas. Entre estes incrédulos está o físico da Universidade Princeton (professor já aposentado) Freeman Dyson. Ele afirma categoricamente que não acredita nas conclusões tiradas a partir de modelos rodados em computador.

- Ecoalertadores - Formam o grupo daqueles que acreditam em que o aquecimento global é produzido pelo ser humano e que essa situação tem de ser rapidamente revertida. Seus líderes são os cientistas James Hansen (da Universidade Columbia), Stephen Schneider (da Universidade Stanford) e James Lovelock (professor visitante honorário da Universidade Oxford). O ponto de vista deste grupo pode ser pinçado de um trabalho seminal de Hansen: ''Se a humanidade quiser manter o Planeta em condições similares às que se encontrava quando a civilização se desenvolveu, então é preciso reduzir a concentração de CO2 na atmosfera de 395 partes por milhão para no mínimo 350.''

- Ecoalarmistas - São os profetas das calamidades de todo o tipo, sempre iminentes. ''Furacões, tempestades de raios e tornados não são obras de Deus, mas do homem. É o fim da natureza'', garante um dos líderes do grupo, o escritor e ambientalista americano Bill McKibben.

Nesse segmento há de tudo. Há gente honesta e bem-intencionada. Há os aproveitadores que vivem e até mesmo enriquecem com verbas proporcionadas por ONGs e instituições públicas.

E há os picaretas de todas as magnitudes, que montam estatísticas, visuais e gráficos terroristas. Distorcem os fatos e estão sempre prontos a interpretar qualquer achado esquisito da natureza, como frutificações fora do tempo, canibalismo entre animais ou o assoreamento de lagoas e rios como prova incontestável da destruição sempre criminosa do meio ambiente provocada pela ação do homem.

- Ecoindiferentes - Estes não estão nos debates. Não comparecem a conferências como a que terminou ontem em Copenhague, na Dinamarca. Não estão nem aí para o que acontece ou deixa de acontecer. Consideram essas discussões pura perda de tempo e avisam que há sempre algo mais interessante em que se ocupar ou em que gastar tanto dinheiro.

mockup