CELSO MING
Mais reservas para quê?
Se não é para evitar a excessiva valorização do real, por que então o Banco Central (BC)voltou a comprar dólares no câmbio interno e não deve parar tão cedo? Para todos os efeitos, os dirigentes do BC só admitem que compram dólares para atender a dois objetivos: recompor reservas externas e evitar excessivas oscilações das cotações.
As reservas estão acima de US$ 200 bilhões desde junho de 2008, volume mais do que suficiente para garantir a resistência da economia brasileira às turbulências externas. Não há nenhum indício de que a crise global venha a se agravar a ponto de exigir ainda mais blindagem em reservas. Também não se nota volatilidade anormal que obrigue o Banco Central a aumentar as intervenções no câmbio.
E, como vem sendo apontado repetidas vezes nesta coluna, quanto mais compra dólares e reforça a musculatura brasileira em reservas, mais dólares tendem a entrar no Brasil ou a permanecer por aqui. Se a ideia é, portanto, reduzir o ritmo de valorização do real, o efeito de longo prazo sinaliza o contrário.
Os exportadores vêm acusando desconforto com a nova temporada de baixa do dólar no câmbio interno, o que reduz seu faturamento em reais. Por isso, pedem mais intervenção.
Mas são incapazes de dizer como deve ser essa ação. Às vezes, os exportadores insistem em que é preciso derrubar mais decisivamente os juros internos de modo a desestimular a arbitragem com juros. (Só para relembrar, arbitragem com juros é a manobra que leva os aplicadores a tomar moeda estrangeira a juros mais baixos no exterior, trocá-la por reais e reaplicá-la no mercado financeiro interno a juros substancialmente mais altos.)
No entanto, é improvável que, neste momento de bloqueio internacional do crédito, a entrada de dólares destinados a produzir as operações de arbitragem com juros exerça papel relevante no processo de valorização do real. E, mais uma vez, no sistema de metas de inflação, tal como o adotado no Brasil, a política monetária (política de juros) tem a função única de controlar a inflação, e não de administrar o câmbio.
Afora isso, na atual conjuntura de abundância de recursos e de crise global profunda, se continuar a derrubar agressivamente os juros, o BC poderá concorrer para atrair ainda mais dólares, porque reforçará a percepção dos agentes, daqui e do exterior, de que, apesar dos pesares, a economia brasileira exibe melhor saúde do que a dos países ricos.
Embora não o reconheçam, as autoridades do Banco Central têm três motivos para manter o fortalecimento das reservas em moeda estrangeira. A primeira delas é a perspectiva de novos compromissos com esse tipo de moeda, tais como as já previstas capitalizações do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco do Sul.
A segunda é a necessidade de ajudar empresas brasileiras que precisam chamar subscrição de ações aqui e no mercado externo. Quanto maior for o bolão de reservas, maior a probabilidade de sucesso dessas empresas.
E a terceira razão para reforçar as reservas é a aproximação das eleições. Como já ocorreu no passado, o calor da campanha eleitoral pode criar turbulências no mercado financeiro. Parece mais prudente retomar as compras desde agora.
Confira
Sem comprovante - O leitor José Roberto Leme Ferraz adverte que a Cetip, câmara de custódia e liquidação que faz os registros dos Depósitos a Prazo com Garantia Especial (DPGEs), não fornece nenhum comprovante para pessoas físicas de que a aplicação está registrada e, portanto, garantida.
Esses DPGEs foram autorizados há 45 dias para que bancos pequenos captassem recursos na crise, quando o aplicador preferiu os bancos maiores.
Se, por qualquer motivo, o banco que emite o título não o registrar como DPGE, o Fundo Garantidor não tem como assegurar seu pagamento.





