Encontrar apartamento de hotel de um dia para o outro em São Paulo ficou quase impossível. Em dias úteis, a lotação já é de quase 100%, com ou sem megaeventos na cidade. Apenas com grande antecedência se conseguem vagas.

Em abril, voo da Delta Airlines com destino a Atlanta, nos Estados Unidos, foi cancelado por problemas mecânicos. Quem não residia em São Paulo teve de se hospedar em Bertioga, na Baixada Santista, a 105 quilômetros do aeroporto de Guarulhos. Não por opção da companhia; por não haver vagas na capital.

De lá para cá, as coisas pioraram. A demanda subiu e a oferta se manteve estagnada. A ocupação média em 2007, contando finais de semana, foi de 67,0%. Após a paradeira da crise econômica, quando esse número recuou, em 2010 o índice avançou para 68,5%. Neste ano (até outubro) já corre acima dos 70,0%.

Veja agora o que se passa com a oferta. Desde 2007 - quando o Brasil foi oficialmente indicado como sede da Copa do Mundo de 2014 -, São Paulo tem os mesmos 410 hotéis e os mesmos 35,4 mil apartamentos. A cidade abrigará seis jogos na Copa, incluindo o da abertura e um das semifinais. Mas, até 2015, funcionarão só três novos hotéis na metrópole, com 876 quartos (2,5% a mais), aponta o Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (Fohb), que coordena interesses do setor.

São Paulo é o terceiro maior polo turístico do País. E, diferentemente de Rio de Janeiro e Foz do Iguaçu - na dianteira do ranking -, 70% dos 12 milhões de turistas (85% brasileiros) que a cidade abriga por ano não busca lazer. Vêm fechar contratos ou participar de congressos, convenções, feiras ou fóruns.

Uma das explicações para o forte descompasso entre oferta e procura - identificado por Carolina Halo, da Mapie Consultoria -, é a conjugação de dois fatores. De um lado, o bom desempenho da economia nos três últimos anos atraiu mais gente para os negócios. E, de outro, os empreendedores preferiram investir em imóveis residenciais, fartamente financiados; e não em hotéis, de retorno mais baixo.

Mais de meio milhão de turistas virá ao Brasil em 2014. E São Paulo será um dos principais destinos. No entanto, a perspectiva de falta de vagas não aflige o setor hoteleiro. Ana Maria Aidar, diretora da Fohb, aposta na inversão do movimento. Entre 12 de junho e 13 de julho de 2014, período de duração da Copa, a cidade e o foco do mercado hoteleiro mudarão, diz ela. ''Por já se conhecerem as datas dos jogos, eventos habituais serão remanejados e hotéis estarão disponíveis para torcedores de todos os países''.

A tendência, atesta ela, é de lotação na faixa dos 79% em São Paulo, mesma projeção para 2015 - embora admita que cidades próximas exercerão, sim, papel importante na hospedagem desse pessoal.

Mas às vezes fica parecendo que o setor pressiona o governo para liberar favores especiais. A própria Ana Maria Aidar reconhece: ''Garantimos ao Ministério do Turismo as vagas, mas precisamos de incentivos para capacitar funcionários e receber bem o mundo todo''. (Colaborou Gustavo Santos Ferreira)

mockup