Curitiba As Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc) anularam o contrato para compra de energia da Copel Geração. Essa foi a segunda tentativa frustrada da estatal paranaense em vender parte da ''energia velha'' ao mercado, com a intermediação da Tradener, empresa de Donato Gulin. A Copel havia cancelado o leilão que faria no dia 20 do mês passado, quando venderia a energia velha. Na véspera do leilão, a Copel Geração cancelou a venda em função da falta de interesse do mercado.
Com a desistência, a Tradener saiu em busca de clientes no mercado para venda direta dessa energia. Na época, a Celesc manifestou a intenção de comprar a energia ofertada, que era de 356,66 Megawatts por ano, por um período de seis anos. Mas condicionou essa intenção à aprovação da operação por parte da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), órgão que analisa e regulamenta as operações do sistema elétrico no País.
De acordo com Carlos Henrique Ramos Fonseca, assessor técnico da presidência da Celesc, a estatal catarinense chegou a assinar um termo de compromisso com a Copel, para compra de energia, cujo prazo expirava na data da realização dos leilões das empresas federais de energia elétrica, que iniciaram esta semana. ''Como a Aneel não homologou a venda em tempo hábil, a Celesc foi obrigada a comprar a energia no leilão das empresas federais de energia'', afirmou.
Segundo Fonseca, o departamento jurídico da Copel entendia que ao fazer oferta pública para venda de energia através da publicação de fato relevante e comunicação ao mercado, já estava cumprindo os requisitos determinados pela legislação do sistema elétrico. A empresa entendia que com essas precauções, a Aneel fosse homologar a venda. ''Como isso não aconteceu no prazo cabível, a Celesc tinha que ir ao mercado'', salientou.
Segundo a Aneel, o contrato de venda de energia da Copel para a Celesc só chegou esta semana e a agência tem um prazo de 45 dias para analisar o contrato. Só depois disso é que a agência vai se manifestar. De acordo com a assessoria da Aneel, as ''partes interessadas'' estavam pressionando a Aneel a se manifestar em tempo recorde, mas a agência costuma cumprir o prazo fixado.
A Copel fez a oferta pública para venda de energia para a Celesc há 15 dias, quando a Tradener publicou ''fato relevante de comunicação ao mercado'' na imprensa. De acordo com esse comunicado, a energia seria vendida por R$ 75,00 o MW, que corresponde ao valor mínimo que a Copel havia fixado para a energia, se fosse vendida no leilão que foi cancelado.

mockup