Ceia de Natal será a mais cara em 5 anos
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terça-feira, 02 de dezembro de 2008
Alessandra Saraiva<br>Agência Estado 
Rio de Janeiro - Com a proximidade do Natal, varejistas começam a reajustar preços dos produtos mais procurados pelo consumidor para a ceia de Natal. A pedido da Agência Estado, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) elaborou uma cesta com os preços de dez itens lembrados nas compras para a ceia natalina. No levantamento, a inflação acumulada em 12 meses até novembro desses produtos mostra o mais elevado nível em cinco anos, com alta de 13,20%. É mais do que o dobro do apurado pela inflação média do período, de 6,16%, pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC).
Analistas da Confederação Nacional do Comércio (CNC) e da LCA Consultores alertam que a demanda interna continua aquecida no que concerne a bens de consumo não duráveis, como alimentos, por exemplo. Até o momento, os produtos nacionais consumidos na ceia de Natal são os que apresentam altas mais expressivas de preços. É o caso da inflação acumulada em 12 meses até novembro em frutas (13,25%); pernil de suíno (24,84%) e lombinho de suíno (15,50%).
Responsável pelo levantamento, o economista da FGV André Braz comentou que, apesar do atual ambiente de juros altos e de endividamento expressivo do consumidor, a demanda do mercado doméstico continua aquecida, principalmente na procura por alimentos.
A constatação não é apenas da FGV. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou na semana passada o resultado do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) de novembro, uma espécie de prévia do IPCA. O indicador subiu de 0,30% para 0,49%, e o grupo Alimentação e Bebidas responsável por 42% da taxa.
No levantamento da FGV, um dos destaques na evolução de preços foi o frango especial inteiro e em pedaços (chester), que passou de uma alta de 1,85% em outubro para 6,06% em novembro. A FGV não descarta novos aumentos na ceia. ''Na verdade, ainda não está claro o impacto do dólar alto nos preços de alguns alimentos importados, como vinho e azeite, por exemplo'', disse Braz.
''Não acho que será um Natal paupérrimo'', disse o economista e sócio-diretor da LCA Consultores Fernando Sampaio. Ele considerou que uma das opções do consumidor deve ser a substituição de itens importados por similares nacionais. Mas as altas devem atingir em dezembro até mesmo os preços dos alimentos nacionais, devido ao aquecimento da demanda doméstica.


