Ceia de Natal ficará 16% mais salgada
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sábado, 12 de dezembro de 2015
Nelson Bortolin<br> Reportagem Local
O excesso de chuva e o câmbio são os responsáveis pelo fato de o aumento dos produtos da ceia de Natal ter ficado bem acima da inflação, entre dezembro de 2014 a novembro deste ano. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV/Ibre), neste período, é de 10,39%. Já os itens da ceia, medido em levantamento da própria instituição, subiram em média 16,12%.
Entre as mercadorias que apresentaram as maiores variações estão a cebola (60,87%), a batata-inglesa (54,61%) e o bacalhau (43,28%). Também subiram acima da inflação o vinho (24,57%), o azeite (18,21%), a maionese (15,18%), a couve (14,62%) e os ovos (13,62%). As menores variações foram do pernil (1,79%) e do lombo suíno (1,98%). Nenhum dos 17 itens selecionados registrou queda nos preços.
O economista Marcos Rambalducci diz que o aumento dos hortifrútis está relacionado com o excesso de chuva recente. "O mês passado foi absolutamente chuvoso", afirma ele, que coordena a pesquisa da cesta básica de Londrina, feita pela Faculdade Pitágoras. Vinho, bacalhau e azeite, normalmente importados, subiram muito devido ao câmbio. Em dezembro do ano passado, o dólar estava próximo de R$ 2,60. Já, no mês passado, se aproximava de R$ 3,80.
Apesar de os preços estarem muito salgados, a farmacêutica Enalli Santini diz que sua família manterá a ceia de Natal no mesmo padrão do ano passado. "A gente faz na casa da minha avó. Cada um leva um prato. Não fica tão caro", afirma. Ela se diz assustada com a inflação. "Tudo está muito caro. Daqui a pouco não vamos mais poder comer carne. Mas, Natal é uma vez por ano, né?"
A professora Telma Maciel não acredita que a atual crise faça a classe média deixar de consumir alimentos, mesmo os mais sofisticados. "Pode deixar de comprar roupa, sapato, mas não alimentos. A classe média não vai mudar sua ceia de Natal", ressalta.
Já a faxineira Silvânia Soares conta que irá economizar. Em vez de três panetones, "que estão muito caros", vai comprar dois. No lugar da carne usará frango. "Mas vai ter arroz, macarrão, linguiça, Coca-Cola. Não pode faltar peru." Questionada se não irá comprar bacalhau, ela ri: "Bacalhau é coisa de rico. Em casa não chega nem o cheiro", brinca. A ceia será um pouco mais humilde, mas o Natal não passará em branco. "Uma vez por ano a gente tem de passar bem", declara.
A boa notícia é que a média dos preços dos presentes entre dezembro de 2014 e novembro de 2015 ficou abaixo da inflação medida pelo IPC da FGV. A variação desses produtos foi de 3,63%. A lista de presentes inclui 23 itens, entre os quais eletrodomésticos, livros, jogos, vestuário e acessórios.
As altas mais expressivas foram de instrumentos musicais (11,04%), bijuterias em geral (9,97%) e bonecas (9,80%). Registraram variação negativa aparelho telefônico celular (-3,74%), vídeo game (-2,45%), máquina de fotografar e filmar (-2,36%) e aparelho de TV (-0,75%). (Com Agência Estado)