Agência Folha
De São Paulo
A ceia de Natal vai ter um ingrediente indigesto neste ano: os preços. Estabilizados por quatro anos, os preços de panetones, nozes, chesters, vinhos e champanhes vão chegar quase a triplicar neste final de ano, como é o caso das nozes. Os maiores aumentos são dos produtos importados, como bebidas e frutas secas, por conta da valorização do dólar e da própria alta de preços nos países de origem.
A importadora Espabra, que em 98 vendia para o comércio nozes chilenas a R$ 3,10 o pacote com 400 g, está comercializando o produto a R$ 8 neste ano. O quilo da castanha verde portuguesa subiu de R$ 6 para R$ 12, e o da uva passa preta argentina, de R$ 3 para R$ 4,50. O preço da tâmara espanhola (pote de 227 g) aumentou de R$ 2 para R$ 3. Para ter à mesa os símbolos do Natal, o panetone, o chester e o peru, produzidos no País, o consumidor também vai ter de desembolsar mais dinheiro.
Os preços dos panetones subiram 15%, em média. A explicação dos fabricantes é que eles levam ingredientes estrangeiros, como a uva passa e essências. Além disso, dizem, a farinha de trigo e o açúcar, outros importantes componentes, são commodities, têm cotação em dólar, e também encareceram neste ano. A mesma explicação é dada para o aumento do preço do chester, de 10% a 12%, e do peru, de 14,7%. O milho e a soja, rações dos animais, são commodities que sofreram reajustes.
‘‘Estamos fazendo uma grande ginástica para que o consumidor não tome um susto na hora de pagar os produtos’’, diz Elidio Lopes Cavalcanti, diretor da Expand. A empresa é especializada na venda de vinhos estrangeiros e cestas.
‘‘Garrafas de US$ 100 serão substituídas pelas de US$ 50’’, diz Cavalcanti. A Bruck Importadora vai trabalhar com o dólar a R$ 1,75. ‘‘Quem usar a cotação do dólar a R$ 1,98 não vai vender’’, diz Osorio Henrique Furlan Jr., sócio-diretor.
Os produtores nacionais de panetone, chester e peru dizem que os aumentos de preços dos produtos não refletem integralmente a alta de custos. A Visconti informa que as embalagens e a farinha de trigo estão 40% mais caras. Ainda de acordo com a empresa, a caixa de papelão subiu 43%, a uva passa, 50%, e o cartucho de papelão, 30%. ‘‘Não é possível repassar tudo isso’’, diz Edoardo Pollastri, presidente da Visconti.

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