A Caixa Econômica Federal suspendeu temporariamente ontem todas as operações de crédito na área comercial e está orientando as pessoas interessadas no financiamento habitacional a aguardarem a estabilização do mercado. Isso significa que estão interrompidos todos os empréstimos à pessoa física para compra de carro ou eletrodoméstico ou mesmo financiamentos pessoais para dívidas no cheque especial.
A suspensão do crediário adotada pela CEF é uma tentativa de proteger os mutuários e a própria instituição da inadimplência. Com as altas taxas de juros, não é recomendável o aumento de dívidas.
Os empréstimos da carteira imobiliária não serão interrompidos, mas os gerentes vão recomendar cautela porque a TR (Taxa Referencial), que é calculada pela média das taxas pagas pelos bancos nos CDBs, tende a subir. A perspectiva é que a TR, que estava projetada em 1,2% para 30 dias, deverá chegar a 2% ao mês.
O impacto do aumento dessa taxa sobre os contratos imobiliários do SFH (Sistema Financeiro da Habitação) será no saldo devedor. É que ele é corrigido a cada mês, diferentemente das prestações. Pelo contrato de comprometimento de renda, a correção das prestações é mensal ou trimestral. Já pelo sistema de equivalência salarial, o reajuste ocorre na data-base da categoria do mutuário - portanto, uma vez a cada ano.
Com isso, o impacto do aumento das taxas de juros sobre as prestações será apenas na época do reajuste que consta do contrato habitacional. A assessoria de imprensa da CEF informou que as operações de penhor não serão afetadas.
A área financeira do Banco do Brasil alterou todas as taxas cobradas nos empréstimos feitos pela instituição. Os juros do cheque especial para os correntistas com conta-salário passaram de 6,9% para 11% ao mês. Para os que não recebem salário pelo banco, os juros são mais altos: saltaram de 7,9% para 12%. O crédito rotativo do cartão de crédito tem uma taxa de 12% ao mês. As operações de crédito do BB também foram suspensas ontem, mas algumas foram retomadas a partir da definição do novo patamar de juros.

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