Agência Estado
A Caixa Econômica Federal (CEF) anunciou ontem a meta de renegociar este ano 355 mil dos cerca de 1 milhão de contratos habitacionais que, segundo a instituição, apresentam ou podem vir a apresentar desequilíbrios financeiros. Incluem-se aí, basicamente, os contratos cobertos pelo Fundo de Compensação de Variação Salarial (FCVS) e os regidos pela equivalência salarial. Se a estratégia der certo, a Caixa espera acrescentar a seus cofres este ano R$ 1,6 bilhão.
Segundo o presidente da CEF, Emílio Carazzai, a prioridade da instituição é atingir imediatamente os 204 mil mutuários que, até março de 1998, pagavam prestações mensais abaixo de R$ 25. Tratam-se de contratos de equivalência salarial que, em média, segundo o cálculo da Caixa, têm prestações de R$ 18. ‘‘Como o saldo devedor está sendo corrigido pelo indexador e a prestação não pode subir além do reajuste salarial do mutuário, é fácil prever que, mesmo que não haja inadimplência agora, a longo prazo, o contrato se desequilibrarᒒ, explicou Carazzai.
Para a Caixa, esses mutuários representam apenas custo: só para mantê-los no sistema, a instituição gasta R$ 22 com cada um. A CEF garante que o mutuário terá vantagens para renegociar ou liquidar seu contrato e oferece descontos entre 10% e 90% no saldo devedor. Para convencer o cliente, uma ofensiva, orçada em R$ 5,2 milhões, será desencadeada a partir da próxima semana. Além de divulgação por comunicadores regionais, em vez de por intermédio de redes nacionais de comunicação, como nas campanhas anteriores, a CEF contratou empresas de telemarketing e de cobrança. O mutuário será bombardeado por cartas, telefonemas e, numa iniciativa inédita, visitas pessoais.
Nos últimos três anos, a Caixa renegociou 270 mil contratos, arrecadando R$ 2,7 bilhões. Mas, para Carazzai, por falta de uma boa comunicação, 1 milhão de contratos que a instituição julga potencialmente liquidáveis, do total de 2 milhões de mutuários, não foram atingidos.

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