Um processo de sonegação contra o INSS levou ontem o empresário Cecílio do Rego Almeida, de 67 anos, a prestar depoimento na 2ª Vara Federal Criminal, da Justiça Federal, em Curitiba. A sessão foi realizada pelo juiz federal Márcio Antonio Rocha e durou uma hora. O empresário estava acompanhado dos advogados Antonio Figueiredo Bastos e Mário Geha.
Cecílio Almeida reconheceu a dívida perante o juiz - são vários processos cuja soma total não foi estimada pelo cartório da 2ª Vara - e argumentou que já está equacionando o débito junto à Previdência. O empresário condiciona o pagamento da dívida à manutenção do pagamento dos precatórios devidos pelo governo do Estado, que, conforme ele, numa avaliação de dez anos atrás, totalizam R$ 2,6 bilhões.
Em função desse condicionamento, o órgão da Previdência emitiu documento que permite a participação da empreiteira C.R. Almeida em licitações para obras federais e estaduais. O empreiteiro alegou em sua defesa que é credor de órgãos públicos federais em R$ 165 milhões, que não consegue receber desde o impeachment do ex-presidente Fernando Collor.
No depoimento, Cecílio Almeida culpou a crise econômica da década de 80 e agravada durante o governo Collor pela inadimplência fiscal do grupo que preside. Afirmou que durante o impeachment, ‘‘todas as obras no País foram paralisadas e as empreiteiras ficaram sem trabalho’’.
Almeida apelou para argumentos sociais para justificar a sonegação. Ele disse que deixou de pagar ‘‘para evitar a demissão em massa’’. Para isso, optou por pagar 70% dos fornecedores e manter os empregos. Na época em que deixou de pagar impostos, o empreiteiro disse que estava ‘‘quebrado’’. A C.R. Almeida chegou a pedir concordata em 93, mas os balanços de 96 revelaram faturamento de R$ 631 milhões. As dívidas foram pagas em 95 e a concordata levantada em 96.
Hoje a C.R. Almeida está participando de concorrências para obras em vários estados, inclusive no Paraná, com a concessão da rodovia BR-277 no trecho Curitiba a Paranaguá. Segundo Almeida, seu grupo está participando de licitações para ganhar concessões nos setores de transporte, saneamento, energia.

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