Na beira de estradas, a cena ainda é comum: produtores rurais expondo mercadorias in natura em bancas improvisadas. À disposição de quem passa no local, frutas, verduras, além de muitos produtos transformados artesanalmente. Mas a profissionalização do homem do campo e a exigência do mercado, mostram, cada vez mais, uma realidade que aos poucos, vai se transformando. Produtos embalados, mais higiênicos, selecionados.
É o que muitos consumidores querem encontrar nas prateleiras e gôndolas de supermercados. Para isso, o trabalho começa lá no campo, desde a produção da mercadoria. Não é tudo que consegue ser comercializado nesse sistema. Os produtos têm que ser diferenciados. Num giro pela Ceasa de Londrina, é possível encontrar produtores diferenciando seus produtos, antes de comercializá-los.
Não são muitos os boxes, cerca de dez, num universo de cerca de 250 produtores, de acordo com o gerente de mercado, Paulo Venturin. ''Estamos fazendo um trabalho de conscientização para melhorar cada vez mais o produto'', declara.
É o que já faz o produtor, José Ponciano de Oliveira Filho. No box que leva o nome Rei do Milho, oito funcionários se preocupam apenas em descascar, limpar e separar o milho pelo tamanho e qualidade. Eles também se encarregam de colocar o produto na bandeja e plastificar. E é assim que o produto dele é distribuído aos supermercados e sacolões de Londrina e região, além de todo o sul de São Paulo e Mato Grosso.
A produção do milho é feita em duas áreas. Uma delas, numa área de 16 alqueires em Londrina e outra numa área arrendada em parceria, de 30 alqueires, em Centenário do Sul. Ao todo, o produtor embala cerca de 9 mil bandejas de milho por semana. Na propriedade da família, o milho ainda é aproveitado para a produção de suco (600 garrafas por semana), além de bolos, cural e pamonhas, que também são comercializados na região.
Segundo Oliveira Filho, entre as vantagens de se trabalhar nesse sistema, estão a oferta de um produto de melhor qualidade, além do melhor preço na comercialização. ''É um produto mais apresentável para uma freguesia certa'', que garante melhor lucro.''
Para o atacadista Roberto Morakani, da banca Comercial Apucarana, a vantagem de vender um produto diferenciado é grande. Ele comercializa folhagens e embala também o milho em bandejas. A embalagem é feita aproveitando a mão-de-obra que fica ociosa em determinados períodos do dia. ''Tenho um funcionário que quando está mais tranquilo de serviço, faz a embalagem.''
Com uma grande oferta do milho, o produtor consegue embalar até 5 mil bandejas, nos três dias de comercialização na Ceasa. ''Agrego valores aproveitando a mão-de-obra e vendendo por um preço melhor.''
O atacadista Clóvis Tsuzaki, que embala 21 produtos na banca que mantém na Ceasa, acredita que essa é a tendência para produtores e atacadistas. A dificuldade, segundo ele, é a oferta de embalagem alternativa para atender a demanda. ''Precisamos da embalagem plástica ofertada aqui dentro da Ceasa para facilitar o trabalho'', afirma.
Segundo Paulo Venturin, gerente de mercado da Ceasa, a Central já está negociando a instalação de uma indústria em Londrina que vende, aluga e higieniza as caixas plásticas, facilitando o trabalho para os produtores. ''Na Ceasa de Curitiba, uma indústria já funciona há três meses, nesses moldes. Vamos trazer o sistema para Londrina.''

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