Ceasa ameaça mudar para Ibiporã
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sábado, 09 de fevereiro de 2008
Wilhan Santin<br>Reportagem Local 
Inaugurada em 1982, a Central de Abastecimento do Paraná S.A (Ceasa) de Londrina comercializa atualmente 15 mil toneladas de hortifrutigranjeiros por mês. Ao todo, 70 empresas trabalham dentro da unidade londrinense, que atende a mais de mil produtores e oferece em torno de dois mil empregos diretos. Junto com outras quatro unidades distribuídas pelo Paraná, a Ceasa de Londrina forma uma rede de abastecimento que é administrada pelo Governo Estadual.
Porém, essa história pode começar a mudar drasticamente nos próximos meses. Os empresários donos de boxes na Ceasa londrinense ameaçam trocar de endereço. Insatisfeitos com a falta de investimentos governamentais no complexo onde estão instalados atualmente, que fica na BR-369, próximo à divisa com a cidade de Ibiporã, eles ameaçam construir uma central de abastecimento privada, que seria instalada do outro lado do viaduto, ou seja, em Ibiporã. ''Já conversamos com a prefeitura de lá e eles vão nos ajudar'', comentou o presidente da Associação de Atacadistas de Londrina (Arucel), Clóvis Tsuzaki, em reunião - acompanhada pela FOLHA - dos atacadistas com o diretor-presidente das Ceasas do Paraná, Antônio Comparsi de Mello.
Na reunião, o principal questionamento dos atacadistas ao diretor-presidente do órgão governamental foi relativo à eminência de processos licitatórios para a compra de cada espaço comercial. Mello explicou que, de acordo com as leis de licitações, de 1993, os espaços devem ser licitados, com edital de concorrência pública, coisa que não acontece no Paraná. ''Precisamos cumprir o que diz a Lei'', argumentou. ''Eu valorizei o meu ponto, estou aqui há 27 anos. Agora vocês me tiram o direito de vendê-lo quando eu sair daqui'', rebateu um atacadista.
''A Lei de Licitação deixa todos inseguros, mas, além disso, o nosso espaço está deteriorado. Hoje, os tempos são outros, estamos na era da modernidade, da tecnologia. Por isso pensamos em sair daqui e adotar um modelo privado, mas ainda não há nada definitivo. O mais importante é que conseguimos trazer os diretores até aqui para conversar'', explicou Tsuzaki.
Por sua vez, o diretor-presidente do Ceasa disse que o órgão não tem dinheiro para grandes investimentos, mesmo assim tentou demover os atacadistas da idéia de privatização. ''Por que vocês querem outro espaço se já há um mercado constituído aqui'', ressaltou durante a reunião. ''Estamos discutindo outras formas de angariar recursos. Seria precipitado falar em outra central de abastecimento. As taxas que eles pagam aqui são as menores do Brasil'', disse, em seguida, à reportagem da FOLHA.


