CDB é mais vantajoso do que a poupança
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segunda-feira, 21 de setembro de 2009
Andréa Bertoldi<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A poupança passa a ser uma aplicação interessante para quem tem menos de R$ 50 mil e pretende usar o dinheiro em menos de dois anos. Com o projeto do governo federal que prevê a cobrança de Imposto de Renda de 22,5% das aplicações acima deste valor, os investidores terão que buscar outras alternativas mais rentáveis.
Uma saída para os valores que excederem os R$ 50 mil seria o Certificado de Depósito Bancário (CDB) que chega a uma rentabilidade próxima de 100% do Certificado de Depósito Interbancário (CDI). ''O CDB é melhor que a poupança em qualquer alíquota de Imposto de Renda'', disse o consultor financeiro Raphael Cordeiro. No entanto, ele alerta que a escolha da aplicação vai depender muito do perfil e dos objetivos do investidor.
Ao taxar a poupança, o governo federal tem dois objetivos. Um deles é evitar a migração dos fundos para a poupança. Isso porque o governo usa os fundos para captar dinheiro para financiar a dívida interna. O outro motivo seria aumentar a arrecadação pública.
Cordeiro alerta que a aplicação em fundos DI depende muito da taxa de administração cobrada e do tempo que a pessoa vai deixar o dinheiro aplicado. Segundo ele, com taxas menores, o fundo pode ser melhor que a poupança. No entanto, fundos com taxas acima de 2% não compensam. Vale lembrar que para este tipo de investimento, o IR é de 22,5% para aplicações com menos de seis meses; de 20% para seis meses a um ano; 17,5% acima de um ano; e 15% acima de dois anos.
No caso de aplicações no Tesouro Direto, são cobrados custos de 0,8% que incluem um percentual da Bovespa e outro para o banco ou instituição que o poupador escolheu, além de IR.
Em uma simulação realizada por Cordeiro, a pedido da FOLHA, R$ 70 mil durante um ano na poupança renderiam R$ 4.258; no fundo DI, R$ 4.704; no CBD, R$ 5.194; e no Tesouro Direto, R$ 4.380. Neste cenário, o CDB seria o mais rentável e a poupança ficaria na última colocação. Foram calculados juros anuais de 8,9% - de acordo com projeção do relatório Focus para 2010 - e taxa de administração de 1% para o fundo DI. O IR aplicado foi de 15%, valor para aplicações com mais de dois anos.
Atualmente, no País cerca de 600 mil clientes têm saldo entre R$ 50 mil e R$ 100 mil na poupança e 99% dos poupadores possuem até R$ 50 mil. Cordeiro alerta que o investidor precisa pesquisar taxas e rentabilidade líquida das aplicações, além de fazer os cálculos para verificar o que compensa mais.
O diretor do curso de Ciências Econômicas da PUC-PR e conselheiro do Conselho Regional de Economia do Paraná (Corecon-PR), Carlos Magno Andrioli Bittencourt, disse que a poupança vai ter uma dupla tributação. Isso porque essa aplicação é fruto da renda do trabalho das pessoas que já é tributada. Para quem tem mais de R$ 50 mil, ele sugere o CDB e os títulos do Tesouro Direto. Mas, alerta que a taxa de administração deve ser negociada. Ele recomenda que o investidor nunca concentre tudo em uma única aplicação.


