A Central de Laticínios do Paraná (CCLPL), que industrializa os produtos da marca Batavo, será vendida ainda este mês. Os prováveis compradores são os grupos italianos Parmalat ou o grupo Cragnotti, da marca Círio, que firmou parceria com o grupo nacional Bombril. As negociações devem ser consolidadas nos próximos dias com a decisão da CCLPL em vender o controle acionário da empresa que industrializa leite, aves e suínos entregues pelas cooperativas Arapoti, Batavo e Castrolanda.
As negociações ainda estão envolvidas em muito sigilo pela diretoria da CCLPL, que admite estar procurando parceiros que podem ser tanto grupos nacionais ou internacionais. Aliás, a transação estava emperrada diante da resistência da diretoria em vender a maior parte das ações. As famílias de origem holandesa radicadas na região de Castro há mais de 50 anos, que controlam a diretoria da Batavo, estavam dispostas a entregar somente até 40% das ações. Mas os grandes grupos internacionais só aceitam comprar cotas superiores a 51% das ações. Eles têm tecnologia, dinheiro e administração profissional e não aceitam ficar em minoria numa parceria.
As famílias cederam porque a dívida contraída pela CCLPL junto aos bancos já soma cerca de R$ 74 milhões e os juros cobrados estão se transformando numa bola de neve. Inicialmente, a nova empresa será transformada em sociedade anônima e a intenção é abrir o capital.
Grandes grupos estiveram e estão interessados na aquisição da CCLPL. No mês passado, o grupo mais cotado para adquirir o controle acionário era o Laticínios Flor da Nata, do empresário paulista Ricardo Mansur, que comprou a loja de departamentos Mappim. Os grupos Nestlé e Unilever também estiveram de olho nessa transação. Mas quem pode levar deve ser a Parmalat mesmo, admitiu uma fonte. Atualmente, a CCLPL está envasando quase 1 milhão de litros por dia, sendo 500 mil litros entregues pelas cooperativas de produção Arapoti, Batavo e Castrolanda. Outros 500 mil litros estão sendo entregues pelas quatro cooperativas catarinenses do grupo Agromilk, recentemente adquirido pela Central. Para se ter uma idéia do potencial da empresa, ela já chegou a processar 33 milhões de litros de leite num só mês.
O processo de endividamento da CCLPL vem desde 1995 quando a rentabilidade obtida com a venda de leite, suínos e aves começou a ficar insuficiente para o pagamento de juros cobrados pelo sistema financeiro, incompatíveis com a produção. Já no ano passado a Central vendeu a Coopersul, uma indústria de esmagamento de soja por R$ 22 milhões. A compradora, a Cooperativa Mista Agrária, de Entre Rios, investiu somente R$ 17 milhões e mesmo assim em recursos adquiridos na Alemanha que serão pagos no prazo de 20 anos e juros baixíssimos. O restante, cerca de R$ 5 milhões ficou em dívidas assumidas pela Central.
Com um patrimônio construído ao longo de 50 anos por imigrantes holandeses, a informação que se tem no mercado é que o grupo não consegue equacionar a dívida e partir para uma fase de expansão necessária para enfrentar os desafios da globalização. Falta de agilidade e profissionalização no controle da empresa, fatores fundamentais para enfrentar a concorrência de grandes grupos internacionais que estão desembarcando no País, são apontados como algumas das causas para o problema atual de gestão da dívida.

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