Agência Estado
De Brasília
A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara (CCJ) aprovou ontem à noite, por 33 votos a 18 o parecer do deputado Ney Lopes (PFL-RN) que considera inconstitucional o projeto de renegociação das dívidas dos produtores rurais.
A votação aconteceu em clima tenso em razão da presença de representantes dos produtores na sessão. Eles protestaram contra a substituição de quatro deputados do PMDB, que votariam a favor do projeto e contra o parecer do relator.
O deputado Rubens Furlam (PFL-SP), que não integra a comissão, declarou-se indignado com a manobra e anunciou publicamente sua desfiliação do partido, uma decisão que já havia tomado há 10 dias.
Ney Lopes e o líder do PT, José Genoíno (SP), bateram boca publicamente. ‘‘Bem vindo à UDR (União Democrática Ruralista), Genoíno’’, provocou o relator, quando o líder do PT pedia calma aos produtores revoltados. ‘‘Me respeita, Ney Lopes’’, retrucou Genoíno, dando um murro na mesa. Pouco antes da votação, quando o relator justificava seu parecer, os produtores deram as costas para o plenário e rezaram o ‘‘Pai Nosso’’.
Os líderes ruralistas já apresentaram recurso à Mesa da Câmara para que o Plenário reveja a decisão da CCJ. ‘‘Vamos ganhar lá no Plenário porque não dá para o governo substituir 513 deputados’’, declarou o deputado Ronaldo Caiado (PFL-GO), relator do projeto na Comissão de Agricultura.
No final da manhã de ontem, um acordo fechado entre os ruralistas e oposição, em torno de uma emenda apresentada pelo deputado José Genoíno (PT-SP), que limitava a renegociação das dívidas dos produtores rurais aos empréstimos originais de até R$ 200 mil. Segundo cálculos do coordenador da bancada ruralista, Augusto Nardes (PPB-RS), isso beneficiaria 90% dos 1,2 milhão de produtores endividados. ‘‘Com essa proposta asseguramos 350 votos no plenário, já que a nossa causa passa a ser popular com a exclusão dos grandes devedores do Banco do Brasil’’.

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