São Paulo - O Brasil deve enfrentar uma nova crise energética em 2006 ou em 2007, prevê o diretor do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura (CBIE), Adriano Pires. Segundo ele, esse risco varia de acordo com o ritmo da retomada do crescimento econômico e o comportamento das chuvas. ''Se tivermos um crescimento anual de 3,5% a 4% ao ano, a nova crise energética será anunciada em 2006'', disse. ''Se o crescimento for de cerca de 2%, teremos problemas com a oferta de energia em 2007'', explicou o consultor, que ontem proferiu palestra sobre o novo modelo do setor elétrico na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
Pires, que já foi assessor da diretoria da Agência Nacional do Petróleo (ANP), acrescentou que ''não ocorreram novos investimentos em ampliação da capacidade do sistema em 2002 nem em 2003 e não ocorrerão em 2004''. Para ele, os investimentos só voltarão em 2005.
O diretor do CBIE afirmou que o governo está apostando em um novo ciclo de investimentos públicos no setor. ''A ministra Dilma (Rousseff, de Minas e Energia) acredita que o investimento público será suficiente para atender à demanda'', disse o consultor. ''Mas o fato é que os investimentos públicos somente atenderão a uma demanda baixa. Se houver uma forte retomada da economia, não será possível manter um novo ciclo de investimentos públicos e o rigor fiscal ao mesmo tempo.''
Para Pires, com o atual modelo do setor elétrico, somente dois agentes irão investir em aumento da capacidade de geração, a Eletrobrás, com hidrelétricas, e a Petrobras, com térmicas. Segundo ele, os investimentos das estatais deverão ser feitos sem a consideração de critérios técnicos.

mockup