Brasília - A Câmara Brasileira da Indústria da Construção Civil (CBIC) vai cobrar do governo um posicionamento claro sobre a prioridade anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para os investimentos em habitação social, infra-estrutura e saneamento básico. ''A habitação de interesse social não é uma prioridade do governo Lula'', disse o presidente da CBIC, Paulo Safady Simão. O presidente da CBIC acusa o governo de não ter feito nada em dois anos nessa área. ''Em dois anos o governo entregou menos de 100 mil unidades e isso não é nada'', alegou.
De acordo com Simão, para enfrentar o déficit habitacional do País, concentrado na baixa renda, é preciso financiar 600 mil novas habitações por ano, durante 20 anos. Na semana que vem, Simão vai se reunir com o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, e com o ministro da Coordenação Política, Aldo Rebelo.
O presidente da CBIC explicou que não é só a habitação de interesse social que enfrenta problemas. Ele contou que, apesar de o governo ter disponibilizado R$ 4 bilhões para o saneamento desde dezembro de 2003, apenas R$ 250 milhões chegaram à ponta, ou seja, foram efetivamente empregados. ''O restante está parado porque tem problemas de projeto, o Ibama não libera e coisas do gênero'', afirmou.
Até mesmo a montanha de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), anunciada pelo governo para o financiamento habitacional, enfrenta problemas para chegar ao tomador final. Dos recursos disponibilizados esse ano, da ordem de R$ 7,5 bilhões, apenas 45% foram efetivamente gastos. ''E faltam somente dois meses para terminar o ano'', alertou Simão.
Para o presidente da CBIC, o dinheiro do FGTS não foi totalmente empregado no financiamento habitacional pelos problemas existentes entre a Caixa Econômica Federal e o Ministério das Cidades. ''Existe uma briga entre a Caixa e o Ministério das Cidades em relação aos programas, que só agora começa a ser superado'', disse. Para Simão, o Ministério das Cidades não atendeu às expectativas e, por isso, ele defende a criação do banco da habitação e do saneamento, para implementar as políticas de governo.

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