Cavallo vem ao Brasil propor tarifa menor
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quinta-feira, 22 de março de 2001
Das agênciasDe Brasília 
O ministro da Economia da Argentina, Domingo Cavallo, chegou ontem à noite a Brasília para discutir a situação econômica do país com o governo brasileiro. Hoje ele participa de um café-da-manhã no Itamaraty com os ministros Pedro Malan (Fazenda), Celso Lafer (Relações Exteriores) e Alcides Tápias (Desenvolvimento). Até ontem à noite não havia nenhum encontro previsto com o presidente Fernando Henrique Cardoso.
Antes de anunciar o novo pacote econômico argentino na quarta-feira, Cavallo ligou para Malan para comunicar que pretendia promover uma redução tarifária no Mercosul. Segundo a assessoria de imprensa do Ministério da Fazenda, o ministro brasileiro apenas ouviu o relato. Cavallo assumiu a pasta na terça-feira, depois da renúncia de Ricardo López Murphy. O novo ministro exigiu do Congresso poderes especiais para tirar a economia argentina da crise.
Cavallo obteve declarações de apoio no meio empresarial e bancário a seu projeto para recuperar a agonizante economia da Argentina, mas ainda não dobrou a resistência dos políticos a lhe concederem poderes especiais para adotar medidas que julga serem essenciais para atingir seu objetivo.
Em troca de promover ações para reduzir em até 20% os custos do setor produtivo local, o novo ministro quer que o Congresso permita que ele atue como Legislativo e Executivo.
As únicas ações já incluídas no texto seriam a adoção de um imposto sobre o cheque (semelhante à CPMF brasileira) com alíquota de até 0,6%, e que as transações financeiras acima de US$ 1.000 sejam feitas por cheques ou por cartões eletrônicos.
Cavallo havia anunciado quarta-feira, em entrevista à imprensa, que para sair da recessão a Argentina deverá baixar a zero a tarifa de importação para bens de capital para abrir as possibilidades de investimento, e aumentar as tarifas para os bens finais de consumo.
Os países do Mercosul combinaram na reunião de cúpula de Florianópolis (Brasil, dezembro de 2000) baixar três pontos na TEC (que ficava em média em 14% e no máximo em 23%), da seguinte forma: em meio ponto a partir de 1 de janeiro último e 2,5% a partir de 1 de junho de 2001.
O ministro antecipou que negociaria a questão com o Brasil opinando que de nenhuma forma isto significaria a ruptura do Mercosul, mas que, ao contrário, o bloco sul-americano (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai) se fortalecerá.
Em Brasília, assim que foi conhecida a posição do ministro argentino da Economia, o chanceler Celso Lafer disse que o governo brasileiro ia convocar uma reunião extraordinária do Grupo Mercado Comum (GMC) do Mercosul para estudar a proposta de reduzir a Tarifa Externa Comum (TEC) para bens de capital e produtos de informática.
Em meio aos apuros do governo para obter poderes especiais a Cavallo, rumores que teriam partido de operadores no Brasil afetaram duramente o mercado argentino já combalido pela queda nas Bolsas mundiais. Por volta das 13h, começaram a circular versões de que o presidente Fernando de la Rúa havia renunciado. Nesse período, o índice Merval (que mede a variação das principais ações negociadas na Bolsa argentina) chegou a cair 7,25%, para fechar com queda de 5,60%.


