Em uma visita de um dia ao Brasil, o ministro de Economia da Argentina, Domingo Cavallo, veio mais uma vez pedir apoio ao governo brasileiro para medidas que deverão ser anunciadas pelo presidente Fernando de la Rúa na próxima semana. Ele afirmou que serão uma continuidade das propostas já implementadas para reativar o crescimento econômico argentino. O ministro da Fazenda, Pedro Malan, afirmou que Cavallo relatou que estão sendo analisadas medidas tributárias para aumentar a competitividade das empresas daquele país.
‘‘Serão incentivos de natureza fiscal para setores que possam ganhar mais competitividade e, com isso, enfrentar a sobrevalorização do peso’’, afirmou Malan.
‘‘O Brasil não está apoiando tudo que queremos, mas as medidas não interferem no âmbito do Mercosul’’, garantiu Cavallo. Em contrapartida ao apoio ‘‘parcial’’ do governo brasileiro, Cavallo teve de afirmar em público sua disposição em manter as negociações de comércio exterior em bloco.
Malan ressaltou que Cavallo não lhe comunicou nenhum pacote que viesse ‘‘a cair sobre a cabeça dos argentinos’’. Segundo o ministro brasileiro, muitas medidas já estão sendo tratadas pelo Legislativo, como a paridade cambial entre o peso, o dólar e o euro, que deve ser aprovada em breve pelo Congresso da Argentina. Essa medida, segundo Cavallo, afasta a idéia equivocada de uma dolarização da economia argentina que é ‘‘antagônica ao projeto Mercosul’’.
Os dois ministros anunciaram que será criado um grupo de técnicos dos dois países para fazer uma revisão da lista da Tarifa Externa Comum (TEC). ‘‘Prova de que ratificamos o Mercosul é que queremos aperfeiçoar a Tarifa Externa Comum (TEC)’’, disse Cavallo.
Segundo ele, um grupo de alto nível deverá propor mudanças na TEC que facilitem aumento da competitividade produtiva de todas as empresas do bloco. ‘‘Queremos levar a produção do Mercosul para o mundo’’, disse Cavallo.
O ministro da Argentina afirmou que as desvalorizações do real afetam diretamente a economia argentina. No entanto, disse ter sido convencido pelas explicações da equipe econômica que as consecutivas altas do dólar logo serão revertidas. ‘‘Fiquei com a impressão de que existe uma situação de overshooting causado muitas vezes por fatores externos e até pela situação da Argentina’’, disse. ‘‘Mas isso vai acabar se revertendo, pois não é uma desvalorização brutal como ocorreu em 1999.’’
Cavallo disse ainda que ouviu da equipe econômica previsões de que, mesmo com a crise energética, a economia brasileira registre um crescimento em torno de 3% neste ano.

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