Cavallo propõe que Mercosul retome zona de livre comércio
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 11 de junho de 2001
Agência Estado De São Paulo 
Depois de desferir duras críticas ao Mercosul e ao Brasil desde que assumiu a condução da economia argentina, há cerca de três meses, o ministro Domingo Cavallo (foto) começa a atenuar seus ataques contra o bloco regional e a negar qualquer menção contra a economia brasileira. Apesar dessa aparente mudança em sua postura, o homem mais forte do governo do presidente Fernando de la Rúa insiste que os quatro países membros do principal mercado do Cone Sul dêem um passo atrás e voltem ao estágio de zona de livre comércio, abandonando a união aduaneira que existe hoje entre o Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.
Zona de livre comércio entre países prevê um comércio com tarifa zero, mas sem uma tarifa externa comum que obriga as nações que a compõem a adotar uma mesma política tarifária de importação em relação a outros países. Em entrevista a uma TV argentina, Cavallo afirmou que união aduaneira e política comercial externa comum significam renúncia à soberania. Acho que somos capazes de ter uma tarifa externa comum. Mas, antes disso, teria sido necessário institucionalizar o Mercosul.
Na entrevista, à qual a Agência Estado teve acesso, Cavallo explica que, até agora, o bloco não conseguiu avançar na criação de uma comissão e de um negociador de política comercial externa, porque nenhum dos Parlamentos está disposto a renunciar à soberania de seu país. Mesmo assim, acabamos declarando que podemos criar algo para o qual nossos Parlamentos e nosso povos não estão preparados. Ele acrescenta que o Mercosul deveria concentrar esforços como Estados Unidos, Canadá e México fizeram há seis anos para construir o Nafta para criar uma eficaz área de livre comércio, com integração nas áreas de infra-estrutura (transporte, energia e telecomunicações) e serviços. Em lugar de utilizar a soberania que nos resta para aperfeiçoar o livre comércio e criar a integração física, acabamos teorizando sobre quimeras inatingíveis e estamos perdendo tempo, afirma o ministro.
Para Cavallo, os quatro países membros poderiam transformar o Mercosul em um espaço importante e competitivo frente ao resto do mundo. Tanto o Brasil como a Argentina precisam negociar simultaneamente com a Europa e com os Estados Unidos. Temos de fazer com que esses dois mercados briguem pelo Mercosul. Só dessa forma vamos saber qual deles está disposto avançar mais rápido e a abrir mais seu mercado para nossos produtos, acrescenta. O ministro sugere também que Brasil e Argentina precisam negociar em conjunto para poder conseguir melhores resultados. Mas, afirma ele, para isso, precisamos decidir quem vai negociar, qual será a estratégia negociadora e como será o apoio técnico.


