Cavallo propõe a suspensão do Mercosul
Agência Estado
De Buenos Aires
O ex-ministro da Economia, Domingo Cavallo, disse ontem que seria preciso suspender todas as negociações dentro do Mercosul, a menos que Brasil e Argentina coordenem previamente suas políticas monetárias. O candidato a presidente também criticou também o presidente Carlos Menem por ter devolvido, sem enviar à Justiça, pedido do Paraguai de extradição do ex-general golpista Lino Oviedo.
Sobre suas propostas para o Mercosul, diante da recente crise argentino-brasileira, Cavallo disse que a única negociação, pelo menos por enquanto, seria uma coordenação de políticas macroeconômicas e convergência em um sistema monetário que não empurre os países para a recessão.
O ex-ministro disse que suspender não é deixar a idéia do Mercosul de lado. Para ele, do jeito que está, em breve o Mercosul se tornará impopular e não poderá ser apoiado por nenhum governo democrático.
O ex-ministro foi além em suas críticas. Lampreia está errado. Muito errado. Com estas palavras, Cavallo replicou as declarações do chanceler Luiz Felipe Lampreia publicadas na imprensa argentina de que a paridade um a um entre o peso e o dólar tem seus dias contados. A Argentina não vai tomar medidas que empobreçam seu povo, disse o ex-ministro, que contra-atacou disparando que a desvalorização do real, como indicam as estatísticas, empobreceu os brasileiros. No Brasil, a população se sente mais pobre.
Cavallo sustentou aos correspondentes estrangeiros em Buenos Aires que esse sentimento tem toda razão de ser, já que quando a moeda se desvaloriza, acaba-se com os salários e com as poupanças dos trabalhadores. Segundo o ex-ministro, a conversibilidade deu poder monetário aos argentinos.
Cavallo afirmou que em algum momento o peso terá que flutuar, mas isso será daqui a uns cinco anos, quando a moeda argentina inspirar confiança. E terá que ser em um momento quando o dólar estiver fraco. Seria uma loucura flutuar com um dólar forte.
O pai da conversibilidade citou como bons exemplos os casos do Canadá, Nova Zelândia e Cingapura. O ex-ministro criticou as desvalorizações afirmando que os argentinos nunca mais serão cobaias dos ministros da Economia de plantão.
Cavallo, que é candidato à presidência do país pelo partido que criou há pouco mais de um ano, o Ação Pela República, é o terceiro colocado nas pesquisas, com 9% das intenções de voto. Referindo-se à campanha eleitoral e à economia, Cavallo criticou o candidato do governo, Eduardo Duhalde, afirmando que é um absurdo que tenha proposto aos industriais a suspensão das demissões por um ano, em vez da reforma trabalhista.
Foi o marqueteiro brasileiro Duda Mendonça que o fez dizer isso. Duhalde é um prisioneiro deste marqueteiro, segundo Cavallo. Eu não entraria em uma enrascada assim por causa de um assessor estrangeiro. Eu assessoro a mim mesmo, garantiu Cavallo.





