Cavallo presta depoimento na justiça por ''corralito''
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 12 de fevereiro de 2002
Ariel Palacios Agência Estado 
Buenos Aires - O ex-ministro da Economia da Argentina Domingo Cavallo prestou ontem depoimento na Justiça sobre a ordem que deu aos bancos para que não levassem em conta em hipótese alguma as decisões judiciárias sobre a liberação dos prazos fixos retidos dentro do corralito, como é conhecido popularmente o semi-congelamento de depósitos bancários.
Por causa desta ordem, Cavallo está sendo acusado de abuso de autoridade, estímulo ao delito e falta de cumprimento dos deveres de funcionário público.
O corralito começou no dia 3 de dezembro do ano passado. No entanto, dias depois, diante da saraivada de pedidos na Justiça para suspender o confisco, Cavallo ordenou aos bancos, através da resolução 850-01, que ignorassem as ações judiciais.
Para poder chegar ao edifício dos tribunais no bairro de Retiro, no centro da cidade, sem o assédio da imprensa e de manifestantes, o ex-ministro saiu de sua casa às 7h (horário local), quatro horas antes do previsto.
No depoimento, de 40 minutos, Cavallo sustentou que não teve a intenção de desobedecer a Justiça. O ex-ministro tentou justificar sua decisão, afirmando que só queria ganhar tempo para poder apelar à estas decisões judiciais.
O corralito tornou-se o estopim de uma seqüência de protestos populares que acabaram derrubando o próprio Cavallo de seu cargo, além do ex-presidente Fernando de la Rúa.
Desde sua renúncia, o polêmico El Pelado (O Careca) - como o ex-ministro era chamado pela população em seus últimos meses no cargo - permaneceu praticamente escondido, esquivando inúmeros protestos populares e a imprensa.
No ano-novo, Cavallo tentou passar alguns dias de descanso em uma aldeia na Patagônia, de forma incógnita, mas foi descoberto pelos moradores, que imediatamente realizaram uma manifestação de protesto. Por ordem da Justiça, desde sua renúncia, o ex-ministro não pode sair do país.
A situação de Cavallo é delicada. O presidente Eduardo Duhalde, com quem manteve sempre boas relações, não o critica publicamente. No entanto, são mínimas as possibilidades de que tente defendê-lo diante de um eventual pedido de prisão.


