Cavallo prepara plano de ajuste da máquina estatal
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sexta-feira, 13 de abril de 2001
Agência EstadoDe Buenos Aires 
O ministro argentino da Economia, Domingo Cavallo, está preparando um pacote de medidas de ajuste da máquina estatal. O ajuste implicaria no corte de US$ 300 milhões, atingindo principalmente a ANSES (órgão engarregado do sistema de aposentadorias, que concentra 40% do Orçamento Nacional), o Ministério da Saúde e o Ministério do Interior.
Além disso, conteria os gastos com as províncias. O motivo do ajuste é a necessidade de cumprir a meta de déficit fiscal pactada com o Fundo Monetário Internacional (FMI), de US$ 6,5 bilhões para este ano.
No momento, o governo enfrenta o problema de cumprir esta meta, já que no primeiro trimestre do ano o déficit, prometido em US$ 2,1 bilhões, teria passado de US$ 3,4 bilhões. O governo calcula que os cortes orçamentários, somados à significativa arrecadação que se espera pela aplicação do imposto sobre operações financeiras, será possível cumprir as metas do FMI.
Com os cortes planejados pela equipe de Cavallo, seriam retomadas partes do plano de ajuste do ex-ministro da Economia, Ricardo López Murphy. No entanto, não seriam aplicados os cortes em áreas sensíveis, como a Educação, e que foi o estopim da queda de López Murphy, que durou no cargo somente duas semanas. O pacote de medidas de ajuste seria anunciado daqui a duas semanas.
Além do pacote, o governo elabora uma intensa caça aos evasores. Segundo o Secretário de Receitas Públicas, José María Farré, pretende-se atacar o que denomina de buracos negros da arrecadação. Entre estes buracos estariam os frigoríficos e as empresas que prestam serviços aos grandes grupos econômicos.
O pacote de Cavallo chegaria em um momento em que a euforia inicial do retorno de Cavallo ao comando da política econômica do país começa a ceder espaço para dúvidas sobre a reativação econômica.
O economista Andrés López, do instituto Cenit, considera que a reativação nem está perto de acontecer. Segundo a Fundação Mediterránea, o PIB caiu 1,4% no primeiro trimestre deste ano, fato que dificultará a tão esperada saída da recessão, que há 33 meses assola o país. Para Abel Viglione, diretor da Fundação de Investigações Econômicos Latino-americanos (FIEL) o PIB poderia crescer entre 1% e 2% se o risco-país caísse do atual patamar de 855 pontos para 600 pontos.


