Cavallo prepara novo pacote para Argentina
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quarta-feira, 21 de março de 2001
Agência EstadoDe Buenos Aires 
O novo ministro da Economia da Argentina, Domingo Cavallo, está elaborando um pacote de medidas para combater a evasão fiscal e reativar a economia. O pacote implicaria na privatização de parte da arrecadação, modificações nas tarifas alfandegárias para importações extra-Mercosul e alterações em alguns impostos.
Para controlar a evasão com mão de ferro, o novo ministro obrigaria os argentinos a realizar todas as operações financeiras acima de US$ 1 mil por intermédio de cheques ou cartões de crédito. Com este sistema, os bancos se encarregariam de fazer as correspondentes retenções tributárias. Desta forma, o sistema bancário teria mais dinheiro circulando, o que permitiria que os bancos pudessem aumentar sua oferta de créditos.
Cavallo também planeja tornar obrigatório o pagamento dos salários nos bancos, medida que permitiria combater a contratação de trabalhadores sem carteira assinada.
Dentro do pacote de controle tributário, Cavallo consideraria fundamental privatizar a arrecadação tributária, com a eventual concessão da Receita Federal por 20 anos. Cavallo também modificaria os impostos sobre lucros. Este tributo seria reduzido para as empresas que reinvestissem seus lucros.
Além disso, o novo ministro especula solicitar um crédito extra ao Tesouro dos Estados Unidos e de outros países europeus, em um total de US$ 2,8 bilhões. Cavallo também aplicará um seguro sobre os títulos públicos, que poderiam ter a garantia do Banco Mundial ou de bancos privados.
O ministro quer algumas alterações no Mercosul. Cavallo iria propor ao Brasil e aos demais sócios do bloco comercial que sejam aumentadas as tarifas alfandegárias para a importação de bens de capital extra-Mercosul. Com o Brasil, quer negociar uma alta das taxas alfandegárias para a importação de bens de consumo extra-Mercosul, de forma a proteger os produtos da região. O Brasil não concorda que a redução de tarifas do Mercosul ocorra de forma isolada pela Argentina, segundo disse ontem o subsecretário de Assuntos de Comércio do Itamaraty, embaixador José Alfredo Graça Lima.


