O ministro da Economia da Argentina, Domingo Cavallo (foto), admitiu ontem que os objetivos propostos quando assumiu o cargo, em março, não foram alcançados, apesar de todos os esforços. Os comentários foram feitos durante um ato de lançamento de campanha de seu assessor Horacio Liendo, candidato a senador na Capital Federal numa aliança de seu partido, Ação pela República, com o Partido Justicialista, oposição ao governo do presidente Fernando de la Rúa.
O candidato a senador pela Aliança, a coalizão governista, o ex-ministro Rodolfo Terragno, é um dos maiores críticos da gestão do atual ministro da Economia. Nos últimos dias, têm crescido os rumores sobre a saída de Cavallo do governo após as eleições, que acontecem dia 14 de outubro. A renúncia é negada por Cavallo e por De la Rúa.
Cavallo assumiu o cargo após a renúncia de dois ministros em duas semanas. Ele chegou como uma espécie de ''salvador da pátria'', com o apoio dos mercados financeiros e da classe política local. Tinha então um índice de aprovação popular de cerca de 50%, segundo as pesquisas.
Nos seis meses em que permanece no cargo, a situação econômica da Argentina se agravou e o país teve fechado o acesso ao crédito externo. Na semana passada, a aprovação a Cavallo nas pesquisas era de cerca de 15%. A aprovação à política econômica do governo, de 4%.
O atual ministro das Relações Exteriores, Adalberto Rodríguez Giavarini, é um dos principais nomes cotados para substituir Cavallo no ministério da Economia. Giavarini, economista, foi secretário de Finanças de De la Rúa durante sua gestão na prefeitura de Buenos Aires, de 1996 a 1999.
Ponderado e discreto, o chanceler é visto quase como uma antítese de seu colega de gabinete, reconhecido como intempestivo e egocêntrico. Nos bastidores, os dois já tiveram várias desavenças dentro do governo, principalmente sobre a relação da Argentina com o Mercosul.

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