O ministro de Economia da Argentina, Domingo Cavallo, disse ontem que dará prioridade aos compromissos com o Mercosul. No entanto, ele voltou a afirmar que, entre uma união aduaneira imperfeita, como é o Mercosul, e uma zona de livre comércio perfeita, como propõe a Alca, ele prefere a última. ‘‘Queremos seguir com o Mercosul e chegar à Alca unidos mas não podemos descartar a via de negociação bilateral, em parte ou em conjunto, com nenhum país ou mercado’’, afirmou Cavallo.
O ministro argentino desmentiu os rumores de que teria defendido a saída da Argentina do Mercosul. ‘‘De nenhuma maneira eu disse que é preciso sair do Mercosul, mas sempre quis um comércio multilateral mais livre e também ter acordos bilaterais com a América do Norte , com a Europa e outros países’’, avaliou.
Segundo Cavallo, os processos de negociação são importantes, mas lentos, e que há países que avançam mais rápido em acordos bilaterais do que em acordos em bloco. Citou como exemplos o Chile, Israel e a Jordânia.
Ele esclareceu que ‘‘de nenhuma maneira deve-se interpretar a proposta como uma intenção de querer sair do Mercosul para negociar com os Estados Unidos, como já se disse’’ e reiterou: ‘‘Queremos estar no Mercosul’’.
Em entrevista coletiva aos jornalistas estrangeiros na Argentina, o ministro se referiu várias vezes ao apoio que tem recebido das autoridades brasileiras neste momento de crise de seu país. E citou o presidente Fernando Henrique Cardoso, o ministro Pedro Malan e o presidente do Banco Central, Armínio Fraga.
Cavallo disse então que ‘‘se deve fazer muito esforço para aperfeiçoar o Mercosul (Mercado Comum do Sul) como uma área de livre comércio’’ e disse que isso não significa abandonar a idéia de uma união alfandegária ‘‘o mais perfeita possível’’, reiterou aos correspondentes.

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