Cavallo elogia Brasil e revoga medida tarifária
O ministro argentino da Economia, Domingo Cavallo, derreteu-se ontem em elogios ao Brasil, desdisse quase todas as afirmações suas ou de auxiliares que haviam incomodado o governo brasileiro e, como se fosse pouco, anunciou que não vai mais reduzir a zero as tarifas de importações de bens de informática, que havia sido a gota que encheu de vez o copo de irritação do governo brasileiro.
Tudo isso aconteceu por volta de 13h, exatamente um dia depois de o presidente Fernando Henrique Cardoso ter decidido suspender a visita de Estado que faria a Buenos Aires, nos dias 16 e 17, na maior evidência de que o Mercosul vive a maior crise desde seu lançamento faz 10 anos.
Essa avaliação é, aliás, compartilhada por quem contribuiu poderosamente para a criação e fortalecimento do bloco, o ex-chanceler Luiz Felipe Lampreia: A crise atual é até mais complicada do que a de 1999, quando o Brasil desvalorizou sua moeda e, por extensão, anulou a vantagem que a produção argentina tinha no mercado brasileiro.
Mal chegou do Canadá, onde participou da reunião dos ministros de Economia do hemisfério, Cavallo, ainda com os olhos vítreos típicos do jet lag e perfume de quem acabara de tomar banho no próprio Ministério, reuniu-se com o ministro brasileiro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Alcides Tápias, e com o embaixador José Botafogo Gonçalves, coordenador de Mercosul no governo brasileiro.
Cavallo comunicou que revogaria a decisão de zerar as tarifas de importação de bens de informática. Foi uma decisão muito rápida: bastou Tápias lembrar que, pelas normas do Mercosul, bens de capital são uma coisa e, bens de informática, outra, completamente diferente. Segundo o governo brasileiro, a medida provocaria prejuízos de US$ 620 milhões para produtores brasileiros.





