O ex-ministro da Economia Domingo Cavallo rompeu o silêncio que mantinha desde o ''Argentinazo'', que precipitou a queda de Fernando de la Rúa, e acusou, na segunda-feira, o ex-presidente de tê-lo ''traído''. ''Eu não renunciei, fui demitido e sem ser avisado'', revelou Cavallo, cujas declarações foram publicadas pela revista ''Gente''.
''De la Rúa me traiu, para renunciar duas horas depois'', acrescentou o pai da conversibilidade, que em 1991 acabou com a hiperinflação no país, mas que este ano fracassou em sua tentativa de pôr fim a 43 meses de recessão econômica, que elevou o desemprego no país à taxa de 18% da população economicamente ativa.
''Quando vi pela televisão que estavam anunciando a minha renúncia, telefonei para De la Rúa e ele me disse: ''Fique tranquilo, que amanhã nos reuniremos para conversar'', contou Cavallo.
De acordo com a imprensa argentina, o ex-ministro passou o Natal em San Martín de los Andes, na província de Neuquén (Sudoeste), que faz fronteira com o Chile. Uma ordem judicial o impede de deixar o país. Cavallo descarta, indignado, a possibilidade de fuga: ''Jamais me passou pela cabeça abandonar o país pela porta dos fundos'', afirmou.

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