O ministro argentino da Economia, Domingo Cavallo, declarou à imprensa que com o déficit fiscal 0% que seu plano de ajuste fiscal implementará ‘‘será muito mais fácil voltar a crescer’’.
Na madrugada de sábado, a Câmara de Deputados aprovou o pacote de ajuste, que implicará na redução em 13% dos salários de funcionários públicos e em aposentadorias acima de US$ 500.
Além disso, os encargos sociais para as empresas de serviços com mais de 40 empregados terão um aumento de quatro pontos percentuais. O ajuste também inclui a suspensão até o ano 2002 da redução do imposto sobre combustíveis e a ampliaçãod o imposto sobre operações financeiras (inspirado na CPMF brasileira). Também determinou-se a suspensão de parte da devolução do imposto de renda para os salários superiores a US$ 1.500.
Originalmente, Cavallo pretendia que o corte fosse feito acima de aposentadorias de US$ 300, mas o Parlamento alterou seu plano de ajuste. Para o ministro, ‘‘não houve negociações’’, nem foi uma derrota. Segundo ele, somente ‘‘fomos incluindo idéias que aperfeiçoam a lei’’.
Cavallo sustenta que conseguir déficit fiscal 0% ‘‘terá um efeito de reativação’’. Segundo ele, ‘‘se os mercados perceberem que este empenho é sério, as taxas de juros vão diminuir e haverá crédito’’.
No entanto, o ministro preferiu não fazer previsões sobre quando esta esperada reativação econômica virá. ‘‘Fui exageradamente otimista nos últimos meses, e não quero continuar cometendo esse erro’’.
Sobre a reação dos mercados hoje (segunda-feira) e nos próximos dias, Cavallo afirmou que ‘‘supõe’’ que será ‘‘boa’’. No entanto, o ministro sustenta que não está preocupado pelos mercados. ‘‘O apoio dos governadores e do Congresso demonstram o senso de responsabilidade dos líderes políticos argentinos’’, diz.
Segundo ele, com a queda da taxa de risco do país ‘‘o crédito vai ficar plenamente disponível para o setor privado, que é o que precisa criar empregos’’. No entanto, afirma que ‘‘se a população recuperar a esperança, a recuperação pode ser mais rápida’’.
O ajuste ainda precisa da aprovação do Senado, que o debateria e votaria nesta quarta-feira. Cavallo afirma que não teme que o Partido Justicialista (peronista), da oposição, e que controla confortavelmente o Senado, possa colocar obstáculos. ‘‘Os peronistas sempre colaboraram’’.

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