‘‘Desnecessários’’ foi a palavra usada pelo ex-ministro da Economia, Domingo Cavallo, para definir os alertas do Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre os rumos da economia argentina. O FMI recomendou que o país diminuísse o déficit comercial, previsto pelo governo em US$ 6 bilhões, e pelo Fundo, em US$ 8 bilhões; além de aumentar a taxa de juros, o preço do diesel e outros ajustes, que incluiriam uma legislação trabalhista ‘‘menos sindicalista’’.
Segundo Cavallo, o pedido do FMI para desaquecer a economia não faz sentido, e sustenta que o desaquecimento poderá ocorrer pela diminuição das expectativas dos investidores externos e internos, além dos próprios consumidores. As críticas de Cavallo, no entanto, pararam por aí, já que o ex-ministro concordou com as recomendações do Fundo para aumentar a produtividade da economia.
As críticas de Cavallo coincidiram com o anúncio da consultoria financeira internacional Goldman Sachs, que decidiu esta semana diminuir a classificação da Argentina. Segundo o diretor do departamento para a América Latina da empresa, Jorge Marisca, de ‘‘overweight’’, utilizado para investimentos recomendados, a Argentina passou para ‘‘neutral’’, ou seja, analisar com cuidado. O economista da consultoria Flemings na América do Sul, Omar Borla, foi mais pessimista: após esta visita do FMI, a Argentina poderá cair ainda mais na classificação.
O secretário da Indústria e Comércio, Alieto Guadagni, afirmou que o déficit que inquieta o FMI, ‘‘não é preocupante’’ e que a diferença na balança comercial ‘‘é boa’’.

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