O novo condutor da economia argentina, Domingo Cavallo – que tomou posse ontem mesmo, poucas horas depois da renúncia de Ricardo López Murphy, na madrugada da terça-feira – disse ontem que não haverá surpresas nas áreas monetária, cambial e fiscal. Cavallo, que exigiu poderes extraordinários para aceitar um cargo no governo da Aliança, afirmou que o rumo da política argentina, baseada na conversibilidade (um peso vale um dólar), continuará igual e por muitos anos.
‘‘A conversibilidade na Argentina é para sempre e os problemas pelos quais o país passa serão resolvidos com os instrumentos adequados’’, afirmou Cavallo, exigindo não ser interrompido com perguntas. De acordo ele, o déficit fiscal argentino deverá apresentar uma melhora de pelo menos US$ 3 bilhões ao longo deste ano.
Cavallo não explicou como pretende reduzir o déficit nesse montante. Ele lembrou rapidamente que o plano econômico de Ricardo López Murphy, anunciado na sexta-feira, tinha como base apenas a redução do gasto público. Sem fazer críticas diretas ao ex-ministro, Cavallo praticamente ratificou ser contrário a programas exclusivamente fiscalistas, linha ortodoxa que López Murphy perseguiu sempre em sua carreira pública. ‘‘Tudo será rapidamente reativado em busca do crescimento da economia, permitindo que as pessoas voltem a consumir. Esse será o rumo da nossa economia’’, afirmou.
FMIO Fundo Monetário Internacional (FMI) não descarta a possibilidade de afrouxar a meta de déficit fiscal de US$ 6,5 bilhões, acertada com a Argentina para este ano. Mas as chances de um novo pacote de ajuda parecem remotas. ‘‘Um pacote da envergadura desse que foi feito para a Argentina não se faz todos os anos’’, disse o diretor do Departamento de Hemisfério Ocidental do FMI, o argentino Claudio Loser.
Em entrevista coletiva concedida em Santiago, durante a reunião anual do Banco Interamericano de Desenvolvimento, Loser respondeu com um ‘‘ni’’ – mistura de sim e de não em espanhol – à pergunta sobre se o Fundo aceitaria uma ampliação do déficit. ‘‘A flexibilização da meta para este trimestre é aceita’’, ponderou o economista. ‘‘Com o que sabemos hoje, com o esforço que anunciou (o novo ministro da Economia, Domingo) Cavallo, pode-se alcançar a meta do ano, o que seria o razoável, caso contrário o país terá problemas.’’ O próximo desembolso do pacote de ajuda à Argentina será de US$ 1,3 bilhão, em maio. À pergunta sobre o que o novo ministro da Economia, Domingo Cavallo, terá de fazer para que essa liberação se confirme, Loser disse que o corte de US$ 2 bilhões do pacote anterior já era suficiente para que a Argentina cumprisse a meta anual. Loser não se opõe, em princípio, a uma possível redução dos impostos num momento em que a Argentina não consegue cobrir seus gastos no nível desejado. ‘‘Segundo a teoria econômica, essa redução poderia impulsionar o crescimento’’, disse o diretor do FMI. ‘‘Tudo depende do impacto que isso terá sobre o déficit fiscal, mas não temos uma receita que diz que aumentar os impostos é a solução. Acreditamos num Estado pequeno, com menos gastos e menos impostos’’.

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