O ministro de Economia da Argentina, Domingo Cavallo, rejeitou ontem a possibilidade de um acordo com o Brasil para reverter as medidas tarifárias decretadas pelo seu país na segunda-feira. Cavallo disse que não vê razão para o rompimento das negociações entre Brasil e Argentina, como consequência do favorecimento à importação de bens de informática e automóveis, entre outros, de países de fora do Mercosul. No Brasil, o presidente Fernando Henrique reagiu à atitude do governo argentino, e disse que deverá entrar em contato com o presidente da Argentina, Fernando De la Rúa, para tratar do assunto. ‘‘Não é criando problemas com terceiros que a Argentina vai resolver o problema dela’’, afirmou Fernando Henrique.
‘‘Não posso falar de acordo se não vejo nenhum desacordo com o Brasil nessa matéria’’, disse Cavallo. Segundo ele, o governo argentino não tomou nenhuma medida que não havia sido anunciada antes e da qual o Brasil não soubesse. ‘‘As medidas são favoráveis ao Brasil e ao Mercosul, à medida que favorecem o crescimento da Argentina’’, declarou o ministro após reunião com políticos italianos.
Essa não é a opinião do representante brasileiro junto ao Mercosul, embaixador José Botafogo Gonçalves. Para o embaixador, se a Argentina adota medidas de forma unilateral não é possível construir uma união aduaneira regional. Botafogo alertou que, se persistir o conflito entre os principais sócios do Mercosul, as negociações com a União Européia estarão ameaçadas.
Cavallo negou que tenha se referido de forma desrespeitosa ao Brasil, ao comparar o País a um ‘‘elefante’’. ‘‘Tenho um respeito imenso pelo Brasil, e apenas usei a mesma expressão utilizada por um empresário italiano’’, disse. O ministro elogiou as intervenções do Banco Central brasileiro para tentar conter a alta do dólar, o que contribuiria para uma maior estabilidade nas relações econômicas entre os dois países.
Na Itália, perguntado sobre rumores de uma possível desvalorização do peso, Cavallo foi enfático, e disse que são boatos que partem de quem ‘‘não entende o sistema monetário argentino’’. ‘‘Falar de desvalorização ou de feriado cambial é uma estupidez.’’ Em Roma, Cavallo negou taxativamente a possibilidade de renúncia do presidente Fernando de la Rúa ou mesmo a sua própria. ‘‘Jamais renunciaria num momento de dificuldade ou perigo. Embora me chame Cavallo, não sou fácil de arrear, e sou bastante indomável.’’

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