Cauteloso, Amorim defende diálogo
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terça-feira, 02 de maio de 2006
Jamil Chade<br>Agência Estado 
Genebra - Adotando um tom de cautela e evitando qualquer enfrentamento, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, defendeu o diálogo com o governo de La Paz como forma de solucionar a crise envolvendo a nacionalização do petróleo e gás boliviano. Respeitamos a decisão soberana no governo boliviano, mas queremos um acordo por meio de um diálogo, afirmou o chanceler.
Amorim foi obrigado a cancelar reuniões em Genebra com países africanos e com ministros japoneses para retornar ao Brasil. O chanceler estava na Suíça para encontros que tinham como objetivo retirar a Organização Mundial do Comércio (OMC) do estado de paralisia em que se encontra.
Em uma conferência de imprensa, Amorim evitou explicar aos jornalistas internacionais o motivo pelo qual estava retornando de forma antecipada ao Brasil. Tenho outras coisas para fazer no Brasil, disse.
Segundo Amorim, o Itamaraty sempre buscou o diálogo com os bolivianos para tratar do tema energético. Para ele, porém, um entendimento terá que ser baseado em uma situação que viabilize os investimentos da Petrobrás na Bolívia. Temos que respeitar a soberania dos países da região, mas queremos ver o que é viável, explicou.
Amorim enviou, na semana passada, o secretário-geral do Itamaraty, Samuel Pinheiro Guimarães, para negociar com os bolivianos. O chanceler, porém, afirmou não saber porque a missão não teria dado
resultados.
O ministro brasileiro, que falou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela manhã de ontem, não se cansa de insinuar que o Brasil tem tomado várias iniciativas para a ajudar a economia boliviana. Uma delas foi a decisão de propor que os produtos bolivianos entrassem sem qualquer imposto no mercado brasileiro, como forma de ajudar as exportações do país.
Na sexta, em entrevista à Agência Estado, Amorim lembrou que os investimentos brasileiros no país vizinho deram um impulso à economia boliviana. As exportações do país ao mercado brasileiro passaram de US$ 30 milhões, em 1991, para US$ 700 milhões, no ano passado.
Enquanto o ministro defendia o diálogo, a ONU publicava hoje (2) um levantamento mostrando que recorrer à arbitragem para resolver casos como o da Bolívia pode ser a melhor forma para evitar uma fuga de investimentos.
Segundo o levantamento, aumentou o número de casos de arbitragem entre empresas e governos por causa de investimentos feitos em vários países. 48 novas arbitragens no mundo foram abertas em 2005, o que faz com que o número total de casos chegue a 229. A maioria ocorre por causa do tratamento recebido pelas empresas por um governo, diante de situações de expropriação e outras diferenças.


