São Paulo Apesar das recentes medidas do governo de incentivo ao crédito, as perspectivas dos supermercados para o Natal deste ano são conservadoras. Grandes empresários do setor contam com um aquecimento, particularmente no mês de dezembro, mas acreditam que será apenas um ponto fora da reta, insuficiente para caracterizar uma mudança de tendência.
Para o presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), João Carlos de Oliveira, o último mês do ano, tradicionalmente, vai contar com um acréscimo de consumo. Ele admite a possibilidade de se registrar um avanço de até 3,5%, o que vai ajudar a apenas zerar as perdas acumuladas em 2003. ''É muito otimismo esperar que esta situação se reverta'', disse.
Oliveira avalia que se permanecer o contexto positivo atual, a recuperação da demanda deve ocorrer apenas no segundo semestre de 2004. Até lá os resultados vão continuar com variações pífias. Os shoppings, por outro lado, têm expectativas mais otimistas. A justificativa é o comportamento já conhecido do consumidor em anos de crise, que após meses de privações se permite algumas extravagâncias como compensação. ''O Natal de anos ruins é sempre melhor do que anos bons'', explicou o diretor executivo da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), Luiz Fernando Pinto Veiga. Ele acrescenta que a demanda reprimida tende a ''desaguar'' no Natal.
O setor registra até julho, em comparação ao mesmo período do ano passado, uma perda de faturamento de 0,91%. Mas a Abrasce acredita que no fechamento de 2003 pode registrar um porcentual positivo de até 5%, graças principalmente ao movimento do último mês do ano.
''Acho que o Natal vai fazer esta surpresa'', disse. O Dia das Crianças, segundo ele, já está dando sinalizações neste sentido. E os shoppings, por outro lado, por meio de suas campanhas, devem se mexer para isso. As decorações por exemplo, para despertar o ''espírito de Natal'', tendem a ser antecipadas ainda mais este ano.

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