O gerente do Sistema Nacional de Empregos (Sine) de Londrina, Mauro Viecili, acredita que muitas pessoas preferem exercem atividades informais por comodismo. ''As pessoas preferem manter o dinheiro no bolso porque têm saúde e educação à disposição, então ficam acomodadas'', afirma. Ele alerta: ''Essas pessoas se esquecem que vão envelhecer sem aposentadoria e que podem enfrentar uma invalidez e não terão a quem recorrer.''
Viecili cita como exemplo a indústria do vestuário que, ao enfrentar a abertura de mercado e a concorrência de países asiáticos, sofreu impacto pelo custo operacional elevado. ''Foram criadas facções que não pagam encargos e não têm preocupação com qualidade para produzir as peças. Com isso, perdeu-se qualidade, desqualificou-se a mão-de-obra e ainda hoje o setor enfrenta falta de qualificação'', afirma. ''Quem trabalha nesse sistema não quer voltar ao mercado formal e enfrentar a rigidez de horário a cumprir, a produtividade e o controle de qualidade.''
Na opinião de Viecili, resgatar o trabalhador para o mercado formal depende também de uma mudança na visão do empregador, que precisa remunerar melhor o empregado. ''Eles sabem que quanto maior a renda, maior o consumo'', diz. No entanto, segundo o gerente, nos últimos dois anos a média salarial em Londrina caiu de R$ 750 para R$ 450. Enquanto a média salarial dos trabalhadores do comércio de Maringá é de R$ 440,00, em Londrina é de R$ 320,00. ''Como reverter a situação sem valorizar o capital humano?'', questiona.
Para Viecili, algumas ações podem ajudar a reduzir a informalidade, entre elas, treinamento, requalificação junto com o empresariado e o resgate da cidadania. ''Não é só trazendo indústrias montadoras, pois, em Curitiba, onde houve muito incentivo para o setor, a média salarial caiu cerca de 30% em três ano'', compara.L.M.

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