Categoria tinha esperança que Justiça impedisse o leilão
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terça-feira, 17 de outubro de 2000
Israel Reinstein De Curitiba 
Os bancários que acompanhavam à distância o leilão do Banestado passaram de grande euforia para a depressão, durante a manhã de ontem. Tensas desde o começo do dia, cerca de 500 pessoas aguardavam, na praça 19 de Dezembro, no Centro Cívico em Curitiba, decisões da Justiça que pudessem cancelar o leilão de privatização do Banestado.
Com liminar contrária à venda e logo depois com a suspensão da medida, muitos não resistiram e choraram com a privatização. Não houve conflito ou prisões durante o pregão, mas muitos desabafaram criticando o governo estadual e o Poder Judiciário pela mudança dos controladores do banco paranaense.
Os bancários se reuniram em dois pontos em Curitiba na Praça 19 de Dezembro e em frente ao conglomerado Banestado, no bairro Santa Cândida. A partir das 8 horas, 150 pessoas estavam vestidas de preto na Praça 19 de Dezembro, protestando contra a venda. Esse número chegou a 500 manifestantes até as 10 horas, quando foi anunciada que a liminar ajuizada pelo deputado federal Florisvaldo Rosinha Fier (PT) tinha acabado de suspender o leilão.
Os manifestantes comemoram com grande euforia. Muitas pessoas começaram a chorar de alegria e outras se abraçaram. O presidente do Sindicato dos Bancários de Curitiba e Região Metropolitana, José Daniel Farias, também se emocionou e chegou às lágrimas.
A suspensão vai permitir que a população saiba o que aconteceu realmente com o Banestado. Viva a Justiça honesta do Paraná, afirmava, eufórica, a bancária Shirlei Fenandes. Entusiasmada, ela foi com os manifestantes para a frente do Tribunal de Justiça, onde o governo estadual havia acabo de entrar com recursos para cassar a liminar. Gritando palavras de ordens, os bancários acreditavam que podiam interferir na avaliação do desembargador Sidney Zappa, presidente do TJ.
Mas 50 minutos depois, o ânimo dos manifestantes mudou. Zappa concedeu liminar permitindo o leilão. A Justiça do Paraná é controlada pelo governo estadual, queixava-se a mesma bancária Shirlei Fernandes, chorando.
O clima de apreensão entre os manifestantes ficou ainda mais pesado quando foi confirmada a venda do Banestado ao Itaú. Muitos manifestantes abandonaram a concentração em frente ao Tribunal da Justiça. Outros criticaram a imprensa por não ter impedido a venda. É triste ver um patrimônio dos paranaenses indo embora. Dói muito, resumiu o aposentado Durvalino Borges.
Entre os funcionários do Banestado em Londrina, o clima também foi de apreensão durante toda a manhã. Vestidos de preto para demonstrar luto, eles se reuniram em frente à agência centro para protestar contra a privatização do banco, em uma manifestação que culminou em um abraço simbólico ao prédio, ao som do Hino Nacional. Cerca de 40 funcionários da região foram para Curitiba engrossar as manifestações no local do leilão.
Por volta das 11 horas, a liminar que acabara de suspender o leilão foi cassada, causando desânimo entre os grevistas. Independente do resultado, nós vamos continuar a greve da categoria, que tem também o objetivo de reivindicar a garantia de emprego para cerca de dez mil famílias e a apuração de irregularidades no banco, afirmou José Francisco da Silva, presidente do Sindicato dos Bancários de Londrina.
Com a privatização, os funcionários temem ser demitidos pelos novos donos. O histórico de privatizações no Brasil demonstra que a maioria dos trabalhadores da empresa estatal acaba na rua, afirmou o sindicalista.
Decepcionados com o andamento das negociações, alguns chegaram a se emocionar com a notícia da venda do banco. Ivete Thomaz de Aquino, há 26 anos no Banestado, não conteve as lágrimas. Conheço história de pessoas que dedicaram a vida ao Banestado. A privatização não é justa. Espero que a Justiça preste mais atenção ao processo, desabafou. (Com Carolina Avansini)


