Castanhas não devem estar só na ceia do Natal
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sexta-feira, 11 de setembro de 2009
Marcela Rocha Mendes<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Calóricas, porém necessárias, as chamadas ''castanhas'' são parte integrante de qualquer dieta saúdavel. Por serem muito ricas em gorduras monoinsaturadas, são fundamentais para proteger o coração, já que diminuem o LDL (colesterol ruim) e contribuem no aumento do HDL (colesterol bom). A riqueza em vitamina E também é característica geral das frutas oleaginosas que chegam ao consumidor com cada vez mais opções e preços diversos, para agradar todos os gostos e bolsos.
Preferida dos especialistas em alimentação, a castanha do Pará, ou castanha do Brasil, é a campeã em nutrientes e no preço. Ela é recomendada diariamente, cerca de duas unidades, por causa da grande quantidade de selênio. Segundo a nutricionista Louise Cristiane Turcatel, a substância é um antioxidante que traz benefícios ao cérebro e no combate aos radicais livres, apontado como um dos principais causadores do envelhecimento muscular. Uma única castanha já praticamente supre a necessidade diária de selênio de um adulto.
Com propriedades similares, a castanha de caju é mais pobre em selênio, mas compensa em outros nutrientes. Outra característica geral à família das oleaginosas é a riqueza em proteína e ser uma fonte de fibras, agindo como um bom substituto - ou complemento - às carnes. Elas ainda ajudam a aumentar a sensação de saciedade e algumas têm em sua composição as chamadas gorduras polissaturadas.
Considerada a mais ''nobre da família'', a noz, tanto a chilena ou borboleta como a pecan, é rica em ácidos graxos, potássio e vitamina C, mas é a menos nutritiva dentre as opções mais comuns no Brasil. A avelã, geralmente associada a doces com chocolate, é uma boa fonte de fósforo e cálcio.
A amêndoa, que vem ganhando os cardápios também junto aos pratos salgados, traz o magnésio e o ferro. Famoso como sabor de sorvete, o pistache puro ainda não caiu nas preferências dos brasileiros. Mas pode ser uma boa opção para quem busca vitaminas B6 e B1.
Desde que deixou de comer carne vermelha, a telefonista Guiomar de Oliveira, 58 anos, recebeu orientação da nutricionista de consumir três castanhas por dia. Ela gosta de comê-las in natura, mas ocasionalmente se aventura a preparar um prato com uma das variedades. O maior problema no consumo em excesso é o risco de ganhar peso pela alta quantidade calórica e de gorduras presentes em todas as variedades.
A quantidade de calorias é semelhante entre elas, ficando entre 500 e 600 kcal por 100 gramas. Acima da média está a macadâmia, com 700 kcal por 100 gramas, além de ser a mais gordurosa e ter menos nutrientes. Já bem abaixo da média está a castanha portuguesa, pouco comum no Brasil. Suas 200 kcal/100 gramas ainda estão repletas de carboidratos.
O ideal é consumir cinco unidades por dia
Segundo a nutricionista Louise Cristiane Turcatel, o consumo ideal é de cinco unidades por dia, junto com uma dieta balanceada, equilibrada em proteínas e carboidratos. Não adianta a pessoa consumir um monte de comidas não saudáveis e achar que as frutas oleaginosas vão resolver tudo, combatendo os radicais livres, diz.
Como sugestão, ela indica duas unidades de castanha do Pará, uma amêndoa e as outras duas de acordo com o paladar de cada um. Apesar de serem encontradas de várias formas salgadas, com açúcar, leite condensado é melhor dar preferência às formas crua e natural. Às vezes, ela já foi muito processada com o calor e o açúcar, então perde boa parte das propriedades nutricionais e ainda teve aumento na quantidade de calorias, explica.
Outro cuidado necessário é com a conservação. Se mantidas em local fechado longe da luz, as castanhas podem durar até 45 dias, tranquilamente. Mal conservadas, a grande quantidade de gordura pode causar um processo de rancificação. A dica de Louise, que também é chefe de cozinha, é sempre dar uma leve tostada, de 5 minutos no forno a 180ºC, para deixá-las mais crocantes e ainda matar pequenas larvas que aparecem com a má conservação. (M.R.M.)


