A recente divulgação de casos de resistência de lagartas ao milho Bt e também de determinadas plantas daninhas ao glifosato, acendeu o alerta da comunidade científica. Durante a 34° Reunião de Pesquisa de Soja (RPS), o presidente da Embrapa, Eduardo Lopes, revelou que a resistência às tecnologias também é um desafio para o setor de pesquisa. "A natureza é muito sábia, é natural que ao longo do tempo ela reaja", observa o dirigente.
Lopes avalia que o processo é muito dinâmico porque lidamos com biotecnologia, que é muito complexa. Contudo, para acompanhar essa evolução, o sistema de gerenciamento também deve ser sofisticado. "Já era previsto durante as pesquisas a resistência de lagartas ao milho Bt", descreve. Por isso, acrescenta Lopes, sempre foi indicado o sistema de manejo, a exemplo do plantio de área de refúgio.
Em relação às plantas daninhas resistentes ao glifosato, César de Castro, pesquisador da Embrapa Soja, afirma que o problema tem aparecido mais nos Estados Unidos, mas já há ocorrências no Brasil. O especialista avalia que a aplicação sistemática de um só tipo de herbicida é prejudicial. "O uso de um só produto ajuda na seleção de plantas resistentes", descreve o pesquisador.
Castro completa que tem ocorrido bastante casos de resistência com a buva e também com o capim-amargoso. "O produtor deve sempre ficar atento e buscar sempre a assistência técnica", salienta o pesquisador da Embrapa. Ele reforça que a pesquisa em soja busca a produtividade com qualidade e sustentabilidade, e o menor uso de agrotóxico possível. (R.M.)

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