'Caso TRT' derruba Bovespa na semana
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sexta-feira, 14 de julho de 2000
Das Agências De São Paulo 
O saldo da semana turbulenta, com notícias de envolvimento do presidente Fernando Henrique Cardoso no escândalo do Tribunal Regional de Trabalho em São Paulo, foi negativo para o Ibovespa. O índice da carteira teórica paulista acumulou perda de 4,08%, reduzindo o ganho no mês para 0,91%. Em tempo: as ações preferenciais da CRT fecharam em alta de 7,72%. O ganho ocorreu por causa do anúncio de que a Brasil Telecom chegou a um acordo com a Telefônica para a compra de 85,19% das ações da CRT, no valor estimado de US$ 800 milhões (leia nesta página).
O mercado de juros reduziu o seu nervosismo nesta sexta-feira, depois de julgar que o conteúdo das gravações mostradas pela revista IstoÉ ainda preservava o presidente Fernando Henrique Cardoso de envolvimento maior no caso do escândalo da obra superfaturada do TRT.
Os juros futuros recuaram um pouco, mas continuam altíssimos, levando-se em conta a redução da Selic para 17%. Operadores davam conta, ao final do dia, que o mercado tinha dado uma esfriada, mas não voltara ao normal e ainda mantinha suas preocupações com possíveis desdobramentos do caso Eduardo Jorge. Diziam ainda que certamente as instituições financeiras pediriam taxas maiores de remuneração pelos títulos prefixados do Tesouro a serem leiloados na próxima terça-feira.
O dólar voltou a cair ontem e fechou na cotação mínima do dia, reagindo ao contra-ataque do governo federal em relação às acusações. Depois de registrar uma alta de 0,11% no período da manhã, o dólar começou a despencar para encerrar o dia em queda de 0,55%, cotado a R$ 1,8030. Na BM&F, os contratos de câmbio futuro também fecharam em alta.
O ministro da Fazenda, Pedro Malan, disse que a recente crise política não afeta o ritmo de crescimento da economia brasileira. O governo continua trabalhando normalmente e o importante é que o que o Brasil produz é muito mais amplo do que as querelas, futricas e intrigas que estão surgindo.
As notícias de envolvimento de autoridades brasileiras no escândalo preocuparam inicialmente os investidores internacionais. No entanto, criou-se ontem o consenso de que, daqui para a frente, o temor será gradativamente dissipado. É um fato negativo, sem sombra de dúvida, mas acredito que não vá afetar os fundamentos da economia brasileira. Apenas criou uma volatilidade que já está desaparecendo, disse Paulo Vieira da Cunha, do banco Lehman Brothers.


