'Caso Soletur' abre crise no setor
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segunda-feira, 05 de novembro de 2001
Benê Bianchi<br>De Londrina 
A falência da operadora de turismo Soletur abalou a credibilidade dos consumidores de pacotes de viagens e agravou a crise que se abateu sobre o setor este ano. Com o dólar alto, os pacotes internacionais já vinham registrando queda na procura desde o início do ano. Mas o golpe de misericórdia veio com os ataques terroristas contra os Estados Unidos, em 11 de setembro.
Só a agência Navegatur, de Londrina, viu três grupos de clientes se desfazerem após os esses acontecimentos. Um grupo, com 20 pessoas, embarcaria para Nova York; outro, com 15, para a Grécia; e um terceiro, com 20 pessoas, viajaria para Marrocos.
Quando todos pensavam que a situação provocaria uma migração dos turistas para pacotes nacionais veio o inesperado. A Soletur anunciou falência. Para agravar o quadro, as companhias aéreas aumentaram as tarifas em aproximadamente 20%.
''Todas as operadoras aumentaram os preços'', informa Cristiane Toma, da KTS Viagens e Turismo, de Londrina. Em média, os pacotes subiram 19%. ''O setor está preocupado, procurando saídas para enfrentar o momento'', acrescenta Sheila Navega de Souza Prata, proprietária da Agência Navegatur. Elas participam do núcleo setorial de agências de viagens e turismo do Projeto Empreender, ligado à Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil).
Uma das saídas encontradas pelo grupo para enfrentar a crise foi preparar pacotes alternativos. Em janeiro, as agências do núcleo levarão grupos para passar cinco dias em Camboriú, com viagem em ônibus de luxo, guia, hospedagem em hotel à beira mar, incluído café da manhã e jantar, ao preço de R$ 320,00.
''O grupo está se reunindo desde dezembro, o que foi uma coisa muito boa para nós nesse momento. É mais fácil enfrentarmos unidos as situações difíceis, discutindo juntos os problemas comuns e visualizando soluções'', comenta João Garcia, da Gralha Azul Turismo.
O episódio da falência da Soletur foi um golpe duro para as agências, avaliam os empresários do setor. Segundo eles, a receita das empresas, fatalmente, cairá. ''Precisamos vender cinco ou seis pacotes nacionais para obtermos a renda de um pacote internacional. E ambos estão difíceis de serem fechados'', comenta Sheila Navega. Cristiane Toma avalia que os pacotes nacionais estão caros no momento, espantando os clientes, e os internacionais estão praticamente parados. ''Só viaja para o exterior quem precisa fazer negócios.''
O reflexo da falência da Soletur foi grande, especialmente, sobre aquelas pessoas que gostavam de comprar pacotes com antecedência. ''Nessa época, muita gente já estava fechando pacotes para viajar em março, fora da temporada. A própria agência tem receios, porque somos co-responsáveis nos pacotes que vendemos'', diz Sheila Navega.
''O maior prejudicado é o cliente que compra direto das operadoras. Esses ficaram sem ter a quem recorrer'', observa João Garcia, acrescentando que as agências de viagem estão amparando os clientes que haviam comprado pacotes da Soletur.


