O médico veterinário e professor da Universidade estadual de Londrina (UEL), Amauri Alfieri, explica que os animais podem desenvolver Encefalite Espongiforme Bovina (EEB) de duas formas: a mais tradicional é por meio da alimentação com base em proteína animal e outra, mais incomum, é uma mutação espontânea da proteína priônica presente em todos os animais. A causa mais provável para o caso paranaense é o de mutação. "A proteína desempenha uma série de funções importantes no organismo, mas quando ocorre mutação, ela se torna patogênica e desencadeia a EEB", esclarece. Segundo Alfieri, o animal não apresentou manifestação clínica da doença, mas os exames demonstraram marcação priônica que indica o mal.
Alfieri relata que em julho deste ano uma equipe uma equipe da vigilância Sanitária foi vistoriar a propriedade. Foram analisados nove animais do rebanho para verificar possível traço da doença, mas os resultados foram negativos em todos os casos. "O diagnóstico mostra que a nossa vigilância sanitária está funcionando muito bem, inclusive com reconhecimento dos órgãos internacionais, pois mesmo sem apresentar sintomas e sinais clínicos da doença, conseguimos detectar o caso", comenta.
A doença é crônica e provoca degeneração do sistema nervoso central do animal, o que resulta em dificuldade de movimentação e tremores. A Encefalite Espongiforme Bovina foi identificada pela primeira vez no Reino Unido, em 1985, e desde então já registra mais de 180 mil casos. A EEB passou a ser conhecida como mal da vaca louca em razão dos sintomas apresentados pelos animais e leva invariavelmente à morte num período que pode variar de um a seis meses. Alfieri afirma que durante reunião ocorrida ontem no Ministério da Agricultura (Mapa) foi definido que não haverá restrições de barreiras, pois a doença não é contagiosa e não exige tais cuidados.
O Ministério da Agricultura descartou que haja risco para a saúde pública diante da confirmação de um caso "não clássico" de vaca louca. "Tem que deixar bem claro que não se trata de uma emergência sanitária. Tratamos aqui de um caso, onde o animal não desenvolveu a doença. O agente causador não entrou na cadeia alimentar, não há risco para a saúde pública, nem para a saúde animal", explicou o diretor do departamento de saúde animal do Mapa, Guilherme Henrique Figueiredo Marques.(Com Folhapress)

mockup