Brasília - O empréstimo de R$ 6 bilhões que o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) fez para ajudar o BTG Pactual após a prisão do banqueiro André Esteves motivou uma mudança de regra no Banco Central. A mudança se refere ao recolhimento compulsório ao BC de parte do socorro financeiro de bancos feito por meio de fundos. A regra tirava da instituição em dificuldade parte significativa do recurso que ajudaria a garantir liquidez. Junto com essa alteração, o BC promoveu outras três mudanças nas normas de compulsórios.
A regra em vigor até então determinava que, quando um fundo concedesse ajuda a um banco em dificuldades, haveria recolhimento de 25% de compulsório sobre depósitos a prazo, além de 11% de exigibilidade adicional. O regulador excluiu essa obrigatoriedade para manter "a plena efetividade da rede de proteção do Sistema Financeiro Nacional". O impacto monetário foi calculado como nulo.
O BTG enfrentou problemas de caixa após André Esteves, seu ex-presidente, ter sido preso na Operação Lava Jato em 25 de novembro. O banco iniciou então um processo de venda de ativos para garantir sua liquidez, mas, mesmo assim, suas ações acumulam queda de 53% em três semanas.
Para ajudar no processo de estabilização da situação do banco, o FGC liberou um empréstimo de R$ 6 bilhões à instituição. A primeira parcela da ajuda financeira, de R$ 2 bilhões, sofreu o desconto do recolhimento de compulsório em vigor até então. O mais provável, no entanto, é que esses recursos já tenham voltado ao sistema financeiro por meio da própria instituição, como apurou o Estado.
Fontes próximas ao FGC afirmaram que essas mudanças no BC já estavam em discussão e que a mudança pode ter sido acelerada com o caso BTG. Procurado, o BTG não comentou. O regulador chegou à conclusão de que essa retenção obrigatória não fazia sentido, uma vez que a operação tem como objetivo fornecer recursos para socorrer instituições financeiras debilitadas.

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