Cash Auto fecha lojas em Londrina
Unidades haviam sido lacradas pelo Procon-LD no final de fevereiro pelo não pagamento de clientes
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 03 de abril de 2019
Unidades haviam sido lacradas pelo Procon-LD no final de fevereiro pelo não pagamento de clientes
Mie Francine Chiba - Grupo Folha 

A Cash Auto, empresa de venda de automóveis fundada em Londrina, fechou as duas lojas que possuía na cidade. No final de fevereiro, o Procon-LD (Núcleo Municipal de Proteção e Defesa do Consumidor de Londrina) lacrou as duas unidades da empresa depois de contabilizar quase 90 pessoas que tiveram os veículos vendidos pela empresa, mas não receberam os valores. A empresa também está proibida de fazer novas transações no município, sob pena de multa de R$ 10 mil por novo contrato. A suspensão das atividades perdura até que os clientes sejam ressarcidos. Os clientes ainda não receberam seus pagamentos.
Segundo o advogado cível da empresa, Cristian França, a Cash Auto está “enxugando” sua estrutura para levantar dinheiro para o pagamento dos credores, por isso o fechamento das lojas. O acerto dos cerca de 18 funcionários ainda estaria em negociação. Segundo França, não há ações trabalhistas.
No final de fevereiro, o CEO Ycaro Martins havia afirmado que a empresa receberia um aporte de R$ 2 milhões em poucos dias devido à venda de 35% da companhia, e que o valor seria utilizado para o pagamento dos clientes. Conforme o advogado da empresa, a Cash Auto está finalizando o contrato de aporte, mas com outro investidor.
Em cerca de 20 dias, com o contrato assinado, a empresa deverá apresentar um plano de pagamento ao Procon, afirma França. Com o início do pagamento aos credores, a Cash Auto espera que o órgão autorize a companhia a funcionar novamente, até mesmo para gerar recursos para o pagamento do restante dos clientes, salienta o advogado. Para isso, a ideia é abrir uma loja menor, mais enxuta.
Plano de pagamento
O coordenador do Procon-LD, Gustavo Richa, disse que a Cash Auto já fez duas petições pedindo a reabertura da empresa, porém, sem oferecer garantias sobre e pagamento dos clientes, e pedindo prazo de 90 dias para o início dos acertos. “Foi apresentada uma proposta pedindo 90 dias para pagar e não falaram de onde viria o dinheiro. É preciso saber de onde vem o dinheiro, e programar o pagamento por semana, por mês.” Por esse motivo, as propostas foram rejeitadas pelo Procon-LD. Na ocasião, a empresa teria reconhecido uma dívida de cerca de R$ 850 mil.
Richa afirma que o Procon-LD pode autorizar a reabertura da empresa, desde que apresente um plano com garantias de pagamento.
Inquérito policial
O caso da Cash Auto está sob inquérito policial. Na última segunda-feira (1), o delegado Edgard Soriani, da Delegacia de Estelionato, afirmou que já ouviu clientes e um sócio da empresa, e que essa semana ouviria outro sócio e funcionários da Cash Auto para concluir o inquérito.
Tão logo seja concluído, o inquérito deverá ser encaminhado ao Ministério Público, onde pode ser oferecida denúncia de crime de estelionato, esclareceu Miguel Sogaiar, promotor de Defesa do Consumidor. Ele afirmou que um inquérito civil também foi instaurado na promotoria, que no momento está realizando as diligências necessárias.


