Cascavel produz semente transgênica
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quinta-feira, 15 de janeiro de 2004
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A Cooperativa Central de Pesquisa Agrícola (Codetec), de Cascavel, vai multiplicar sementes básicas de soja transgênica já nesta safra. Com isso, a multiplicação comercialmente poderá ser feita na próxima safra e deverá estar à disposição do mercado em 2005. A multiplicação foi permitida pelo Ministério da Agricultura que concedeu o registro provisório para as empresas que vêm fazendo pesquisas com variedades adaptadas no País. Além da Codetec, a Embrapa e Monsanto também obtiveram o registro provisório para multiplicação de sementes.
A Codetec obteve o registro provisório para quatro variedades que vêm sendo pesquisadas desde 1997 com o acompanhamento de técnicos da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). As variedades 212 RR, 213 RR e 214 RR são indicadas para o cultivo de soja na região sul do País. A variedade 219 RR é indicada para a região do centro-oeste. A pesquisa aponta que essas variedades apresentam produtividade similar à soja convencional, entre 3 mil e 3,5 mil quilos por hectare, em condições normais de clima e solos férteis.
O diretor executivo da Codetec, Ivo Carraro, disse que está consciente que o registro definitivo depende de aprovação da lei nacional de biossegurança que está sendo rediscutida no Congresso Nacional. A empresa de pesquisa corre o risco de multiplicar as sementes e depois ser proibida de colocá-las no mercado. ''Caso isso aconteceça, as sementes devem ser destinadas para o esmagamento em alguma indústria'', disse.
Mas Carraro não acredita nessa hipótese. Segundo ele, a Codetec prefere o risco para que tenha volume de sementes disponível para atender ao mercado quando a legislação definitiva for aprovada. A Codetec já investiu cerca de R$ 8 milhões até agora e prevê o retorno dos investimentos com a venda das sementes a cooperativas e empresas multiplicadoras de sementes.
De acordo com Carraro, o registro para multiplicação de sementes de soja transgênica representa o início da legalização desse mercado que começou muito conturbado no Brasil. Segundo ele, o plantio de organismos geneticamente modificados permitido nesta safra foi feito com sementes clandestinas, contrabandeadas de países vizinhos ou multiplicadas pelo próprio produtor sem qualquer tecnologia.
Carraro aproveitou para esclarecer que a multinacional Monsanto não tem o monopólio das sementes de soja transgênica. Ela tem o domínio da tecnologia do gen. Empresas como Codetec, Embrapa e a própria Monsanto participam desse processo introduzindo o gen nas cultivares de domínio dessas empresas. ''Portanto o pagamento de royalties já é feito a qualquer compra de semente com tecnologia seja ela transgênica ou não porque carrega todo um investimento em tecnologia'', explicou. No caso das sementes de soja transgênica, os royalties serão divididos entre as empresas multiplicadora de sementes e a Monsanto. E o pagamento de royalties está previsto para até 2014.


