A Casas Regente fechou sua filial de Londrina no início deste mês. A loja, do segmento de venda de tecidos, era tradicional em Londrina, com 34 anos de existência. A rede entrou em concordata há três anos. Rômulo Soares Júnior, procurador da Casas Regente, conta que a empresa começou a enfrentar dificuldades financeiras logo após a abertura das importações, no governo Fernando Collor.
‘‘Não dá para concorrer com os importados. Há um ano, fechamos nossa fábrica de camisas, a Sentinela Confecções’’, diz Soares. Segundo ele, o custo de fabricação de uma camisa de algodão nacional era R$ 13. ‘‘Algumas lojas que trabalham com produtos importados vendem camisas por R$ 5 cada’’. Soares também reclama dos juros cobrados pelos bancos e da dificuldade em trabalhar sem capital de giro. ‘‘Não dá para recorrer a empréstimos bancários porque os juros estão muito altos’’.
Depois de quitada a primeira e segunda parcelas da dívida da concordata, Soares diz que ainda falta fôlego para pagar os juros. ‘‘A saída é enxugar o máximo possível’’, revela. A rede, que há pouco mais de três anos mantinha 35 filiais em funcionamento no País, já fechou 30 lojas. ‘‘Empregávamos 2,5 mil funcionários. Hoje, temos menos de 100’’. Há quatro anos, a loja de Londrina, na rua Sergipe, tinha cerca de 50 funcionários. No mês passado, o quadro de pessoal era formado por 20 empregados.
Até o final deste mês, Soares pretende fechar outras duas filiais: em Campo Grande (MS) e Santos (SP). A Casas Regente vai manter em funcionamento apenas a matriz de São Paulo e as filiais de Juiz de Fora (MG), Recife (PE), e Gravatá (PE).
Rômulo Soares Júnior percorre hoje o caminho inverso trilhado por seu avô, bisavô e pai, que foi o da expansão. A rede, fundada há 107 anos por seu bisavô - Vicente Soares - começou como Armazém do Norte, uma pequena loja de tecidos e confecções em Gravatá.

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