Casas populares 'salvam' construtores
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quinta-feira, 21 de dezembro de 2000
Emerson Cervi De Curitiba 
As moradias populares e de baixo padrão salvaram o setor da construção civil em Curitiba de um desempenho negativo em 2000. Segundo o Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon), foram concluídas neste ano 11.834 unidades na cidade. Dessas, 10.806 são de uso residencial e 1.028 para fins comerciais. A construção horizontal (imóveis com até dois pavimentos) representa 65% do total da cidade. A maioria localiza-se nas regiões do Xaxim, Uberaba, Cidade Industrial e Bairro Alto, bairros de classe média baixa. Comparando com o ano passado, quando foram conCluídas 8.974 unidades no total, houve um crescimento de 31,87% no período.
Há uma carência muito grande de habitanções populares em todo o País e Curitiba não é diferente, diz Eliel Lopes Ferreira Junior, presidente do Sinduscon. Existe atualmente mais de 60 mil famílias na fila da Companhia Habitacional de Curitiba (Cohab-CT) à espera de uma casa popular. Para o presidente do sindicato, a fila só vai diminuir com a retomada das linhas de financiamento de longo prazo para a construção da casa própria e a pressão por moradias populares. A alternativa da construção civil para 2001 continuará sendo investir em casas populares.
Em agosto deste ano o governo federal anunciou repasses de R$ 70 milhões para a construção popular no Paraná através da Caixa Econômica Federal. Até agora foram aplicados apenas R$ 5 milhões. Estamos cobrando da direção do banco o repasse de recursos para o Estado e queremos saber porque apenas uma parcela tão pequena dos recursos chegou ao Paraná, diz Eliel Júnior. Pelo programa, cada família teria direito a um arrendamento domiciliar no valor de até R$ 20 mil.
Em todo o País, o setor da construção civil cresceu cerca de 2% este ano em relação a 1999. A produção industrial apresentou um acréscimo de 6% nesse período. Já o acréscimo na produção imobiliária de Curitiba no ano de 2000 foi de 12%, em relação ao ano passado. No entanto, o número de alvarás para novas construções teve redução de 22,8% entre janeiro e outubro deste ano em comparação com o mesmo período do ano passado. Segundo Eliel Junior, o dado é preocupante. Dentro de dois anos deverá diminuir a produção, afirmou.
Outro entrave para o setor, além da falta de crédito para famílias de baixa renda e dependência do aquecimento da economia, são as altas taxas de juros. Para o presidente do Sinduscon, a construção civil deveria pagar, no máximo, juros entre 12% e 13% ao ano. Atualmente é cobrado 16,5% de juros das empresas que emprestam dinheiro do setor financeiro. Apesar da tendência de queda, não acredito que em 2001 seja possível chegar a níveis bons de taxas de juros, completa. (Colaborou Agência Estado)


