Afogada em dívidas superiores a R$ 300 milhões, a Casas Pernambucanas pediu falência ontem na 2ª Vara de Falências e Concordatas do Rio. A empresa estava em concordata preventiva desde 21 de julho de 1995. O pedido de falência não atinge a Casas Pernambucanas de São Paulo, que tem outro controle acionário e não estava incluída na concordata. Inclui, porém, a PIC (Pernambucanas Indústria e Comércio), subsidiária da Pernambucanas.
No pedido, os advogados da Pernambucanas, Sergio Bermudes, Luiz Bernardo Gomide e Daltro Borges Filho, pedem que o síndico da massa falida faça um contrato de arrendamento dos ativos do segmento comercial da empresa para a Viver Fomento Comercial Ltda., do grupo Pedro Bezerra. Esse segmento é composto por 70 lojas de artigos de cama, mesa, banho e decoração espalhadas por 19 Estados e emprega atualmente 1.800 funcionários. O negócio seria preservado até sua venda como ativo da massa falida.
O contrato com a Viver teria prazo mínimo de 12 meses. O preço seria o equivalente a 10% da receita líquida mensal, respeitado o valor mínimo de R$ 20 mil. A arrendatária também teria que arcar com os custos do negócio (salários, aluguéis e despesas diversas), num total mensal de R$ 1,49 milhão. Além disso, os advogados pediram ao juiz que autorize o síndico a manter em
vigor o contrato de arrendamento da fábrica de tecidos da Pernambucanas, em Contagem (MG), com a Companhia Renascença Industrial, que emprega 1.200 trabalhadores.
Desde a decretação da concordata, a Pernambucanas efetuou uma série de tentativas de recuperação financeira. A primeira ocorreu com a contratação do Banco Multiplic para desenvolver um plano de reestruturação financeira para a empresa. O banco, porém, após obter dos credores promessa de repactuação da dívida, não conseguiu crédito novo para o capital de giro e se retirou do negócio. Tentativas semelhantes surgiram depois com o banco norte-americano
Wasserstein Perella e com o Banco Liberal, que chegou a tentar no BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) um financiamento de longo prazo. Nenhuma teve êxito.

mockup