O presidente executivo da Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletrônicos (Eletros), Lourival Kiçula, diz não ter dúvidas de que a nova legislação das empregadas domésticas vai influenciar fortemente no mercado local de eletrodomésticos. ''Daqui para frente, a indústria deve investir cada vez mais em produtos inovadores, que agregam funções e que já são comuns lá fora, como as geladeiras inteligentes, que avisam pelo celular os itens que devem constar na lista do supermercado'', exemplifica Kiçula.
Se até então as grandes preocupações da indústria estavam voltadas para características como sustentabilidade, eficiência energética e confiabilidade, agora constará nesta lista também o desafio de suprir a falta de um tipo de mão de obra cada vez mais rara dentro das casas. ''Claro que os eletrodomésticos não vão substituir totalmente o trabalho de pessoas, e até por isso talvez elas comecem a voltar, gradativamente. Se não voltarem, algo interessante deve ocorrer, com outras pessoas da família assumindo as tarefas domésticas'', teoriza.
Este fenômeno - já comum nos países desenvolvidos - deve incentivar também o investimento em aparelhos sofisticados, de custo maior, até então de consumo restrito à faixa mais abastada da população. Isto porque, para o presidente executivo da Eletros, a partir do momento em que os próprios donos da casa passam a manipular os eletrodomésticos, percebem mais facilmente o retorno do investimento feito. Mas, segundo Kiçula, como a mudança na lei das empregadas domésticas é recente, ainda não é possível mensurar o impacto nas vendas. ''O que podemos afirmar é que o consumo de alguns itens tem crescido muito. As lavadoras de roupa, por exemplo, já estão presentes em 54% dos lares brasileiros, com potencial para chegar em muitos mais.''

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