São Paulo - No final deste mês, as Casas Bahia, maior varejista de móveis e eletrodomésticos do País, vai começar a vender pela internet. Ainda não será dessa vez que a companhia criará um site próprio de comércio eletrônico. Ela vai testar o novo meio oferecendo uma lista limitada de produtos no Shop Fácil, que pertence ao Banco Bradesco, de quem já é parceira no financiamento ao consumidor. A princípio, a experiência vai durar ao mesmo tempo em que acontece a Super Casas Bahia, loja sazonal instalada no Anhembi, em São Paulo, entre o dia 20 deste mês e 30 de dezembro.
''No montante que faturamos, o comércio eletrônico não se justifica, pois equivale a duas novas lojas'', afirmou Michael Klein, diretor-executivo das Casas Bahia. No ano passado, a rede faturou R$ 9 bilhões e, este ano, prevê faturar R$ 12 bilhões. As Casas Bahia têm 477 lojas em 8 Estados e no Distrito Federal, e planeja fechar o ano com mais de 500.
Pouco a pouco, o discurso das Casas Bahia sobre a internet começa a mudar. Antes, a empresa dizia que seu público não tinha acesso à internet, mas agora busca um consumidor mais sofisticado. ''Somos os maiores vendedores de TVs de plasma do Brasil'', afirmou o diretor de Tecnologia da Informação das Casas Bahia, Frederico Wanderley.
Ele explicou que a empresa teria de fazer grandes mudanças em seu sistema de entregas para poder atender ao público da internet, o que hoje não compensaria, pelo volume. ''Os caminhões só entregam hoje os produtos grandes'', destacou o executivo. ''Os produtos pequenos são retirados pelo cliente nas lojas. Se fôssemos fazer um site somente com os produtos grandes, dificilmente o cliente voltaria.'' Além disso, a empresa não faz entregas em todo o Brasil.
Segundo a Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico, o varejo brasileiro via internet movimentou R$ 4,6 bilhões no primeiro semestre. Os bens de consumo, porém, responderam por somente 23% do total. A maior fatia, de 62,5%, ficou com o setor de automóveis. A Americanas.com, maior varejista da internet brasileira, faturou R$ 645 milhões nos 12 meses encerrados em setembro. O Submarino, segundo maior, teve receita líquida de R$ 474 milhões no mesmo período.

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